Nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) deu um passo significativo para a melhoria da qualidade de vida nas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Foi iniciada a perfuração de dois superpoços nas aldeias Jaguapiru e Bororó, localizadas na Reserva Indígena de Dourados. Esta ação marca o começo da primeira etapa de um ambicioso projeto de abastecimento de água, com investimento total previsto de R$ 50 milhões, que visa garantir o acesso à água potável Dourados para quase 30 mil pessoas, considerando o crescimento populacional das comunidades até 2033.

O projeto, elaborado pela Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), é abrangente e prevê a implantação de uma infraestrutura completa. Além dos poços, estão planejados reservatórios, adutoras, redes de distribuição e estruturas dedicadas ao tratamento e monitoramento da qualidade da água. O objetivo primordial é resolver as dificuldades históricas enfrentadas pelas duas aldeias no acesso regular ao recurso hídrico, assegurando não apenas a disponibilidade, mas também a pressão adequada na distribuição para todas as residências.

Os recursos para esta importante iniciativa provêm do Ministério da Saúde, com os repasses sendo realizados por meio da Caixa Econômica Federal. A execução das obras está sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), por intermédio da Agesul, garantindo a coordenação e o acompanhamento técnico necessários para a concretização do sistema de saneamento.

Quais são os detalhes técnicos da primeira fase da obra?

Nesta etapa inicial, que já está em andamento, serão construídos dois superpoços, um em cada aldeia. A captação da água será feita em uma das maiores reservas subterrâneas do mundo, o Aquífero Guarani, a uma profundidade superior a 600 metros. Cada uma dessas unidades terá uma capacidade estimada de produção de 300 mil litros de água por hora, um volume considerável que se assemelha à média dos poços instalados na área urbana de Dourados, evidenciando a robustez do sistema projetado.

O investimento previsto para a construção de cada poço é de R$ 4,49 milhões. Os contratos atuais contemplam a perfuração dos poços e a implantação das redes de distribuição iniciais, que levarão a água até as proximidades das residências. As etapas subsequentes do projeto dependerão de novos processos licitatórios para a construção dos reservatórios, a ampliação das tubulações que formarão a rede de distribuição completa e a instalação das chamadas “casas de química”, estruturas essenciais para o tratamento e o controle contínuo da qualidade da água.

Mardson Valente, diretor comercial da Sanesul, ressaltou a importância do momento.

“Com a perfuração dos poços, o projeto entra efetivamente na fase de execução. A estrutura foi planejada para ampliar a segurança do abastecimento e garantir que a água distribuída às comunidades atenda aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde”
, afirmou. O planejamento operacional inclui ainda análises semanais de amostras de água nas casas de química, com o objetivo de verificar rigorosamente o cumprimento dos parâmetros exigidos para consumo humano, assegurando a saúde e bem-estar dos moradores.

Por que este projeto é considerado uma "dívida histórica"?

A implantação deste sistema de abastecimento de água é vista como a superação de uma "dívida histórica" com as comunidades indígenas de Dourados. O sistema de fornecimento de água existente na aldeia Jaguapiru, por exemplo, foi instalado em 1997. No entanto, ao longo dos anos, tornou-se ultrapassado e incapaz de suprir a crescente demanda populacional, além de sofrer com a falta de manutenção adequada da rede. Edemir Machado, agente indígena de saneamento com 17 anos de experiência na área, explicou a situação:

“O sistema está ultrapassado e não consegue mais suprir a demanda, a população cresceu. São 269 quilômetros de rede e algumas casas não têm ligação. Hoje, pelo apoio e esforço que temos do Governo do Estado, tudo está dando certo, tem o caminhão-pipa e várias equipes que dão apoio.”

O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, celebrou o início das obras, destacando o impacto social da iniciativa.

“Não estamos apenas iniciando uma obra, estamos começando a superar uma dívida histórica. Água é saúde, é dignidade, é vida”
, declarou, enfatizando a importância de ampliar o acesso ao abastecimento nas aldeias. Em declaração anterior sobre o projeto, a Secretária da Cidadania, Viviane Luiza, destacou que
“A questão da água já vem sendo discutida desde 2023, quando o Governo do Estado mesmo não tendo a competência para tal gestão, se propôs a fazer o estudo e a elaboração do projeto para uma solução definitiva. Eu acredito que essa união de esforços está escrevendo uma nova história na vida dessas pessoas, que poderão viver com mais dignidade e com os seus direitos garantidos.”

A expectativa das famílias indígenas com a obra é grande. Rosenildo Gabriel Morales, morador da aldeia Bororó, expressou o sentimento da comunidade:

“A implantação de água tratada poderá melhorar a qualidade de vida das famílias das duas comunidades, garantindo mais segurança hídrica, saúde e dignidade. Esperamos que esse projeto avance com responsabilidade e traga benefícios para toda a comunidade indígena Guarani, Kaiowá e Terena.”
A participação e o acompanhamento da comunidade são cruciais para o sucesso do projeto. Atanaze Correia, membro da comissão da água da aldeia Jaguapiru, ressaltou a importância da fiscalização:
“A gente trabalha em conjunto para fazer esse levantamento dentro da comunidade. Nossa função é fiscalizar os prazos que foram determinados para a conclusão do projeto.”
O Capitão da Aldeia Jaguapiru, Vilmar Machado da Silva, também manifestou seu agradecimento pelo investimento que trará uma solução definitiva para o problema.

Com a conclusão das diferentes etapas, o novo sistema deverá ampliar significativamente a infraestrutura de saneamento disponível nas aldeias Jaguapiru e Bororó, oferecendo maior capacidade e regularidade no fornecimento de água potável às comunidades. A efetivação plena dos benefícios dependerá da finalização de todas as obras e da entrada em operação das estruturas de captação, tratamento, reservação e distribuição previstas no projeto. O governador do estado, em maio de 2026, expressou a crença de que a rede de distribuição de água estaria concretizada até o final do ano, reforçando o compromisso com a entrega dessa infraestrutura essencial. Este projeto representa um marco para o saneamento no Centro-Oeste, especialmente para as comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, garantindo um direito básico e fundamental para a vida e o desenvolvimento dessas populações.