No dia 4 de outubro de 2026, eleitores de todo o Brasil foram às urnas para escolher seus representantes. Na região Centro-Oeste, três estados — Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — definiram seus governadores no primeiro turno das Eleições 2026. Contudo, a disputa para o governo do Distrito Federal será decidida em segundo turno. Os resultados, que já eram apontados por pesquisas de intenção de voto, refletem a alta aprovação das gestões em exercício e consolidam o cenário político regional, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como ficou a disputa para o governo de Goiás?

Em Goiás, a continuidade foi a tônica com a reeleição de Daniel Vilela (MDB) no primeiro turno. Ele obteve 59,17% dos votos válidos, totalizando 2.148.218 votos, e foi o candidato mais votado em 238 dos 246 municípios goianos. Seus principais oponentes foram Wilder Morais (PL), que ficou com 21,96% dos votos válidos, Luis Cesar Bueno (PT), com 9,82%, e Marconi Perillo (PSDB), com 8,69%.

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Vilela, de 42 anos e natural de Jataí, assumiu o governo goiano em março deste ano, sucedendo Ronaldo Caiado (PSD), que renunciou para disputar a Presidência da República. Sua trajetória política inclui passagens como vereador de Goiânia em 2008, deputado estadual em 2010 e federal em 2014. Em 2018, disputou o governo contra Caiado, terminando em segundo lugar. Filho do ex-governador Maguito Vilela, Daniel Vilela concorreu pela coligação "Pra Goiás Seguir em Frente" e terá Luiz do Carmo (PSD) como seu vice-governador. Para os goianos, a reeleição de Vilela representa a manutenção de um grupo político no poder, com a consolidação de sua própria liderança após a saída de Caiado.

Qual o cenário da reeleição em Mato Grosso?

No Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) foi reeleito governador no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos. Em segundo e terceiro lugares, respectivamente, ficaram Wellington Fagundes (PL), com 23,19%, e Doutora Natasha (PSD), com 15,17%. Pivetta, produtor agropecuário e natural do Rio Grande do Sul, assumiu o cargo em março de 2026, após a renúncia de Mauro Mendes (União), de quem foi vice-governador por dois mandatos. Mendes, por sua vez, foi o senador mais votado no estado, com 33,21% dos votos válidos.

Com um eleitorado de mais de 2,6 milhões de pessoas, Mato Grosso registrou 22,2% de abstenções, 1,01% de votos em branco e 1,86% de votos nulos. A gestão de Pivetta, que prometeu continuar e acelerar as entregas do governo Mendes, tem aprovação de cerca de 50% dos eleitores. Antes de ser vice-governador, Pivetta foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos e deputado estadual. A reeleição de Pivetta, que assumiu o governo recentemente, indica uma forte aprovação da linha de gestão anterior e uma preferência pela estabilidade política na região, especialmente importante para o setor agropecuário do estado.

Como Eduardo Riedel garantiu a vitória no Mato Grosso do Sul?

Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador do Mato Grosso do Sul no primeiro turno, sendo o primeiro governador eleito do país neste pleito. Ele obteve 67,07% dos votos válidos (914.323 votos), vencendo em todos os 79 municípios sul-mato-grossenses. Fábio Trad (PT) ficou em segundo lugar, com 23,68% (322.807 votos).

A gestão de Riedel possui uma alta aprovação de 73%. Natural do Rio de Janeiro, ele construiu sua carreira política no governo de Mato Grosso do Sul, atuando como secretário de Governo e Gestão Estratégica de 2015 a 2021 e secretário de Infraestrutura e Habitação até abril de 2022, ambos na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Eleito governador em 2022 pelo PSDB, Riedel migrou para o PP para concorrer à reeleição, tendo José Carlos Barbosa (Republicanos) como seu vice-governador.

Dos 2.024.430 eleitores aptos a votar no estado, 483.210 não compareceram às urnas, resultando em uma abstenção de 23,87%, a maior já registrada em uma eleição no Mato Grosso do Sul. Foram computados 5,23% de votos em branco e 6,19% de votos nulos. A vitória esmagadora de Riedel, que venceu em todos os municípios, demonstra uma forte consolidação de seu grupo político e uma aprovação massiva de sua gestão, apesar da alta abstenção observada no estado.

O que esperar do segundo turno no Distrito Federal?

No Distrito Federal, a eleição para governador será decidida em segundo turno entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT). Com 100% das 6.969 seções totalizadas, Celina Leão recebeu 49,93% dos votos válidos (825.530 votos), enquanto Leandro Grass obteve 34,47% (569.930 votos).

Celina Leão, 49 anos, natural de Goiânia (GO), é empresária e a atual governadora do DF. Ela assumiu o posto no final de março, após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice-governadora em 2022. Antes, foi deputada distrital e presidiu a Câmara Legislativa. Aliada de Flávio Bolsonaro (PL) e com apoio explícito de Michelle Bolsonaro (PL-DF), eleita para o Senado, Celina liderou em 17 das 19 zonas eleitorais, buscando se descolar da gestão anterior de Ibaneis Rocha.

Leandro Grass (PT) venceu na Asa Norte, com 46,8% dos votos, e na Asa Sul, com 42,8%. Ele presidiu o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) de janeiro de 2023 a fevereiro de 2026 e concorre pela coligação “DF do Povo”. Após o resultado, Grass afirmou que buscará eleitores de candidatos derrotados, além daqueles que votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram, incluindo os eleitores de José Roberto Arruda (PSD), cuja candidatura foi barrada pela Justiça Eleitoral. Ricardo Cappelli (PSB) já declarou apoio a Grass no segundo turno.

Outros candidatos no DF incluíram Paula Belmonte (PSDB), com 8,51% dos votos válidos, Kiko Caputo (Novo), com 4,36%, Ricardo Cappelli (PSB), com 2,23%, Samara Mineiro (UP), com 0,24%, e Robson Raymundo (PSTU), com 0,10%. Os votos brancos totalizaram 4,11% (74.774) e os nulos, 4,95% (89.910). A abstenção foi de 18,99% (426.067 eleitores), com 81,01% do eleitorado comparecendo (1.817.921 votos). Somando brancos, nulos e abstenções, 590.751 eleitores não deram voto válido a nenhum dos dois finalistas.

A capital federal, com sua particularidade de não ter municípios, mostra uma divisão clara no eleitorado. A necessidade de um segundo turno reflete a polarização e a busca por votos de eleitores que não se identificaram com os líderes no primeiro turno, em um cenário marcado por questões locais como a crise do Banco de Brasília (BRB) e os problemas na saúde pública.

O panorama das Eleições 2026 no Centro-Oeste revela uma região com tendências distintas. Enquanto os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul optaram pela continuidade política, reelegendo seus governadores no primeiro turno, o Distrito Federal se prepara para uma disputa acirrada. Os resultados refletem tanto a aprovação das gestões em exercício quanto a complexidade do eleitorado local, que terá a palavra final na capital federal.