Com a chegada da tradicional Semana do Saco Cheio, muitos campo-grandenses e turistas de outras regiões buscam refúgio em destinos de natureza em Mato Grosso do Sul. Nesse cenário, Bonito e Bodoquena, juntamente com Jardim, consolidam-se como pilares do ecoturismo regional, impulsionando a economia local e estadual. A procura por viagens aumentou significativamente, refletindo o crescente interesse por experiências de contato com a natureza e aventura no coração do Centro-Oeste.

Qual o cenário atual da procura por destinos turísticos no MS?

Rodrigo Prado, proprietário de uma agência de viagens em Campo Grande, confirmou que Bonito e Bodoquena estão entre os destinos mais procurados por seus clientes neste período. Ele observou um aumento considerável na demanda por viagens em sua agência em comparação com o ano anterior. A busca por esses locais atrai diferentes perfis de público, desde famílias e casais até viajantes solo, com uma predileção por passeios de bate-volta, considerados mais práticos e econômicos.

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Para aqueles que ainda planejam viajar, Bodoquena surge como uma alternativa atraente, embora a dificuldade em encontrar vagas seja um alerta. A região da Serra da Bodoquena, que abrange os três municípios, oferece uma rica variedade de trilhas, cachoeiras e rios para banho, além de cenários naturais como os Cânions do Salobra. A turismóloga Manoela Bernardy sugere, para quem busca destinos menos movimentados, o Refúgio da Ilha, no Pantanal, que proporciona uma imersão na fauna e paisagem pantaneira, com observação de aves e animais silvestres, além de passeios fluviais e momentos de contemplação do nascer e pôr do sol. Para uma experiência guiada mais completa, a recomendação é reservar no mínimo três noites.

Por que Bonito é referência em ecoturismo no Brasil e no mundo?

Bonito, em Mato Grosso do Sul, é reconhecida internacionalmente por suas águas cristalinas e seu modelo exemplar de visitação organizada, que harmoniza o desenvolvimento turístico com a preservação ambiental. O município foi eleito 18 vezes como o melhor destino de ecoturismo do Brasil pela Revista Viagem e Turismo e se destaca como o primeiro destino de ecoturismo carbono neutro do país. Essa reputação atrai visitantes de diversas partes do Brasil e do exterior em busca de atividades como flutuações, visitas a grutas, cachoeiras, balneários e outras aventuras.

Os números comprovam a força do turismo em Bonito. Em 2023, o município registrou um recorde histórico de 313.316 visitantes, superando os 280.391 de 2022. O total de visitações aos atrativos atingiu 909.605, com balneários e flutuações liderando a preferência. A taxa de ocupação hoteleira média anual foi de 60%, chegando a 63% em dezembro. O Aeroporto de Bonito registrou 2.484 desembarques em dezembro de 2023. São Paulo e o Paraguai foram os principais emissores de turistas nacionais e internacionais, respectivamente.

Em 2025, o Observatório do Turismo e Eventos de Bonito (OTEB) divulgou que o município recebeu 293.712 visitantes, com 880.669 visitações aos atrativos naturais. O ticket médio dos passeios alcançou R$ 240,29, o maior valor da série histórica. O Aeroporto Regional de Bonito teve um recorde de 36.388 desembarques, representando cerca de 12,39% dos turistas que chegaram de avião. A taxa média de ocupação hoteleira foi de 53%, mantendo estabilidade em relação a 2024. São Paulo continuou sendo o principal mercado emissor, responsável por 34,95% dos visitantes. O setor gerou um saldo positivo de 295 empregos formais em Bonito em 2025.

“O turismo fomenta a economia, gera emprego e renda. E Bonito é um polo do ecoturismo muito importante para Mato Grosso do Sul, por isso temos uma preocupação e atuação ambiental muito grande”, afirmou Josmail Rodrigues, Prefeito de Bonito, em janeiro de 2024, ao portal Top Mídia News, destacando a parceria com o Governo do Estado para eventos e infraestrutura.

Como Bodoquena e Jardim complementam a oferta turística da região?

Juntamente com Bonito, Bodoquena e Jardim formam um dos corredores turísticos mais estratégicos do Brasil para o ecoturismo e a aventura. Jardim, vizinha de Bonito, contribui significativamente com atrativos como o Rio da Prata, um dos passeios de flutuação mais renomados do país, além de outras experiências que aumentam o tempo de permanência dos turistas na região. Essa proximidade geográfica permite que muitos visitantes incluam Jardim em seus roteiros, ampliando o impacto econômico do turismo no sudoeste sul-mato-grossense.

Bodoquena, por sua vez, vem ganhando destaque ao oferecer experiências complementares e diversas, com forte vocação para cachoeiras, trilhas e rios. O município faz parte do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, uma vasta área de 76.400 hectares administrada pelo ICMBio, conhecida por suas cachoeiras, rios translúcidos e grutas. A Cachoeira Boca da Onça, com 156 metros de altura, é um dos seus maiores atrativos, além de locais como o Eco Serrana Park e os Cânions do Rio Salobra. A população de Bodoquena, segundo o Censo de 2022, é de 8.567 habitantes.

José Sabino, biólogo e doutor em Ecologia, que atua na região há cerca de 30 anos, ressalta que a Serra da Bodoquena se destaca não apenas pela beleza, mas também pela biodiversidade e características ambientais únicas. Ele enfatiza a relação direta entre a conservação dos rios, os negócios e os empregos gerados pelo turismo de natureza.

Qual o impacto econômico e ambiental do ecoturismo em Mato Grosso do Sul?

O turismo em Mato Grosso do Sul vai muito além dos passeios, movimentando uma vasta cadeia produtiva que inclui hotéis, pousadas, restaurantes, guias credenciados, motoristas, transportadoras, agências receptivas e o comércio local. Profissionais do setor afirmam que cada turista que visita a região gera um impacto positivo em diversos segmentos econômicos simultaneamente, contribuindo para a geração de milhares de empregos diretos e indiretos e para o fortalecimento do empreendedorismo local.

Além do impacto econômico direto, o modelo turístico da região de Bonito, Bodoquena e Jardim é um exemplo de como o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental podem caminhar juntos. A ênfase na preservação ambiental, na educação ecológica e na sustentabilidade é um diferencial que consolida Mato Grosso do Sul como referência nacional em turismo sustentável. Este vigor econômico, impulsionado pelo turismo, reflete-se na capacidade do estado em promover o desenvolvimento em diversas frentes, incluindo investimentos em áreas essenciais. Em janeiro de 2024, Janaina Mainchein, Coordenadora do OTEB, expressou a expectativa de crescimento contínuo para 2024 com a realização de eventos, a pavimentação da MS-345 e o fomento a roteiros integrados com o Pantanal e o Parque Nacional da Bodoquena.

O crescimento da procura por destinos de natureza nos últimos anos fortaleceu ainda mais o protagonismo da região no turismo brasileiro. Bonito continua conquistando reconhecimento nacional e internacional, enquanto Jardim e Bodoquena ampliam sua participação no mercado turístico, formando um conjunto que é motivo de orgulho para Mato Grosso do Sul. Mais do que destinos turísticos, essas cidades ajudam a contar uma história de desenvolvimento, preservação e identidade sul-mato-grossense que cresce a cada ano.