Entidades ligadas à comunicação e ao combate à desinformação farão uma iniciativa de checagem de fatos ao vivo durante o debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O confronto, transmitido pela TV Globo, ocorre nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a partir das 21h20. O público poderá acompanhar análises e contextualizações de dados em tempo real, conforme as declarações dos candidatos.
Para os eleitores do Centro-Oeste, essa iniciativa ajuda a formar uma opinião consciente na reta final da campanha eleitoral. Moradores de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul acompanharão as verificações das afirmações dos candidatos em tempo real durante o debate. As checagens estarão disponíveis nos canais do YouTube da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD).
Como funcionará a checagem de fatos no debate presidencial
A mobilização reúne jornalistas, pesquisadores e instituições parceiras. Eles atuarão em uma "sala virtual de checagem" para analisar as afirmações dos candidatos ao longo do debate. Participam da iniciativa a Fenaj, a RNCD, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e a AletheiaFact.org. Apoiam a ação também a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), a Socicom, a COAR Notícias e o Coletivo Bereia.
As checagens serão transmitidas ao vivo nos canais oficiais do YouTube:
- Canal da Fenaj: youtube.com/@FENAJoficial
- Canal da RNCD: youtube.com/@RNCDBRASIL
Objetivos da iniciativa
Segundo os organizadores, a proposta busca complementar o trabalho de agências especializadas de checagem de fatos para o debate presidencial. Samira de Castro, presidenta da Fenaj, afirmou que a iniciativa visa contribuir para o exercício consciente do voto. Isso é crucial em um ambiente de intensa circulação de conteúdos nas redes sociais. Ana Regina Rêgo, criadora da RNCD, disse que a proposta pretende aproximar a checagem do momento das declarações. Isso amplia o acesso da população à informação confiável.
Iluska Coutinho, presidenta da Intercom, ressaltou que a comunicação e a pesquisa científica defendem a democracia e enfrentam a desinformação. Ela acrescentou que a participação da Intercom reafirma o compromisso da comunidade acadêmica. O objetivo é colocar o conhecimento universitário a serviço da sociedade, fortalecendo a colaboração para oferecer informações qualificadas.
Críticas ao debate anterior e contexto
A iniciativa de checagem em tempo real para o debate presidencial surgiu após o debate presidencial da Band no último domingo, 18 de outubro de 2026. Em nota divulgada após o confronto, a Fenaj criticou o formato do programa: provocações e ataques prejudicaram o esclarecimento dos eleitores. Para a entidade, "o jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático".
A federação acrescentou: "quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira". A Intercom e outras associações da comunicação, como COMPÓS, SOCICOM e SOCINE, também defenderam a integridade da informação.
Desafios da checagem em tempo real e o Centro-Oeste
A Agência Lupa, pioneira em fact-checking no Brasil desde 2015, aponta que a checagem de fatos em tempo real em debates televisivos enfrenta obstáculos. Isso ocorre há mais de uma década. A agência cita resistência de candidatos, recuo de organizadores e interesses comerciais. Dificuldades das regras eleitorais também impedem a checagem ao vivo nos debates brasileiros.
A demanda pública por maior rigor na informação eleitoral é crescente. Para mais informações sobre o cenário eleitoral, veja também Eleições 2026: Apoio de Caiado a Flávio Bolsonaro e debate sobre 6x1 esquentam 2º turno.
Na região Centro-Oeste, o combate à desinformação é um tema relevante e tem sido abordado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em nível nacional. O TSE intensificou suas ações contra a desinformação. Isso inclui parcerias com redes sociais e empresas de inteligência artificial para frear a circulação de notícias falsas e conteúdos manipulados. Campanhas como "Fato ou Boato – Viralizou" e "Boto Fé" visam esclarecer dúvidas e incentivar o voto consciente. Elas impactam diretamente a disponibilidade de informações confiáveis para os eleitores em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Para mais detalhes sobre o papel da Justiça Eleitoral, confira como a Justiça Eleitoral garante a transparência do voto.
Além disso, para o segundo turno das eleições de 2026, o Centro-Oeste terá transporte gratuito, com regras específicas para capitais como Brasília e Goiânia. A medida garante o acesso dos eleitores aos locais de votação, complementando os esforços por um processo eleitoral informado e acessível.