O El Niño está muito forte e se intensifica, com previsão de pico em dezembro de 2026. Este fenômeno climático traz para o Centro-Oeste riscos de chuvas acima da média em algumas regiões e calor extremo em outras, gerando eventos climáticos severos em novembro.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) classifica este episódio de El Niño como o mais intenso desde a década de 1950. Em 26 de outubro, as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial superaram 3°C, conforme dados da NOAA. A agência prevê que o fenômeno persistirá até o primeiro trimestre de 2027, impactando o clima global e, de forma particular, o Centro-Oeste brasileiro.

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Impactos do El Niño no Centro-Oeste: chuvas e temperaturas

O clima no Centro-Oeste em novembro será variado. Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás devem receber chuvas acima da média histórica. Por outro lado, grande parte de Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal terá acumulados abaixo do padrão para o mês. A Climatempo, no entanto, alerta que, mesmo com volumes menores, a região pode enfrentar pancadas de chuva intensas e localizadas. As médias históricas de novembro superam 200 milímetros em diversas cidades do Centro-Oeste, indicando o potencial para eventos significativos. Saiba mais sobre os riscos de chuvas fortes.

As temperaturas elevadas persistem em quase todo o país. No Centro-Oeste, Tocantins, Pará, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registrarão máximas próximas de 40 °C. No centro e norte de Mato Grosso, assim como no norte de Goiás, as médias térmicas devem superar o normal para o mês de novembro, intensificando a sensação de calor.

Riscos de ZCAS, queimadas e impactos na saúde

A Climatempo monitora a possível formação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) antes de 10 de novembro. Este sistema climático é um longo corredor de umidade que pode trazer dias de chuvas fortes e contínuas. A ZCAS afetaria principalmente as regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, aumentando o risco de inundações e deslizamentos em áreas vulneráveis.

A combinação de temperaturas elevadas e chuvas irregulares, características do El Niño, aumenta o risco de queimadas. Na Amazônia Legal, foram registrados 6.542 focos de fogo em agosto, 12.659 em setembro e 11.662 até 23 de outubro de 2026. A fumaça e o calor intenso afetam a saúde da população, especialmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. Entenda como proteger sua saúde respiratória durante períodos de fumaça.

Atenção ao agronegócio e recomendações da Defesa Civil

O setor do agronegócio no Centro-Oeste e em outras regiões do país precisa de atenção redobrada em novembro. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, longos períodos de nuvens e chuva podem reduzir a radiação solar, comprometendo o desenvolvimento das lavouras. Nas regiões Norte e Nordeste, as altas temperaturas e a irregularidade das chuvas exigem um monitoramento constante da disponibilidade de água no solo para as culturas.

O Painel El Niño, boletim conjunto do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Defesa Civil, recomenda que a população acompanhe as previsões meteorológicas e os avisos oficiais. A Defesa Civil orienta manter o cadastro atualizado para receber alertas de emergência. É fundamental conhecer os riscos específicos da sua cidade e bairro, além de identificar rotas de fuga em caso de eventos extremos. Em Goiás, a Secretaria de Estado da Saúde já elaborou um plano para emergências de saúde pública, que inclui a prevenção e o combate a arboviroses, como dengue e zika, que podem ter sua incidência alterada pelas condições climáticas do El Niño no Centro-Oeste.