O escritor, professor universitário e crítico literário Paulo Sérgio Nolasco dos Santos morreu na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, em Dourados, Mato Grosso do Sul, aos 68 anos. Natural da cidade, Nolasco ocupava a cadeira nº 20 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) e foi uma figura central na consolidação do ensino superior e da pesquisa em Letras no estado. A causa da morte foi câncer no fígado. Sua morte é uma perda para a cultura e educação da região, onde ele formou gerações de estudantes e pesquisadores.

A perda de Paulo Nolasco impacta a cultura e a academia de Mato Grosso do Sul. Ele fortaleceu a pós-graduação em Letras. Formou pesquisadores e professores na região.

Trajetória acadêmica e literária

Nascido em 1º de junho de 1958, Paulo Nolasco graduou-se em Letras, Licenciatura Português/Inglês pela UFMS/Campus de Dourados em 1981. Ele obteve mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade de Brasília (UnB) entre 1982 e 1984, e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) de 1989 a 1993.

Como professor associado de Teoria da Literatura e Literatura Comparada na UFMS desde 1984, Nolasco lecionou no programa de pós-graduação em Letras. Ele também foi professor na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), onde dirigiu a Faculdade de Comunicação, Artes e Letras (FACALE), empossado em 26 de setembro de 2006, e foi o primeiro coordenador do programa de pós-graduação em Letras.

Paulo Nolasco expandiu os cursos de pós-graduação em Letras no estado. Ele ajudou a criar o mestrado na UFMS e presidiu a comissão de implantação do mesmo curso na UFGD. Essas ações levaram ao avanço da pesquisa acadêmica em Mato Grosso do Sul. Novos pesquisadores foram formados e a produção científica local ganhou mais visibilidade. Sua atuação consolidou os estudos literários na região.

Contribuições para a literatura regional

O acadêmico integrou o conselho da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic) e coordenou grupos de trabalho na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll). Sua participação em congressos nacionais e internacionais ampliou os estudos sobre a produção literária sul-mato-grossense, especialmente as obras relacionadas às regiões de fronteira, ao Pantanal e ao Cerrado.

Sua obra inclui títulos como "Nas malhas da rede: uma leitura crítico-comparativa de Julio Cortázar e Virginia Woolf" (1998) e "Literatura Comparada: Interfaces e transições" (2001). Ele também publicou "Ensaios farpados: Arte e cultura no Pantanal e no Cerrado" (2003/2004) e "O Outdoor invisível: crítica reunida" (2006), com foco nos regionalismos culturais e literaturas de fronteira. Recentemente, lançou obras como "Ronda Noturna" (2022) e "A Felicidade pela Literatura, Ensaios Críticos" (2023). Seus estudos sobre a literatura sul-mato-grossense e as particularidades das regiões de fronteira, do Pantanal e do Cerrado, aprofundaram a análise da identidade cultural local.

Em uma reflexão sobre seu livro "A Felicidade pela Literatura", Paulo Nolasco declarou que "Só se pode viver da literatura pelo amor, da literatura raramente provém fama e riqueza, mas essa escolha é sempre uma escolha apaixonada, é uma felicidade, uma predestinação".

Academias de Letras e repercussão

Nolasco tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) em 27 de novembro de 2006, ocupando a cadeira nº 20, que antes pertenceu a Otávio Gonçalves Gomes. Desde 15 de setembro de 2000, ele também era membro da Academia Douradense de Letras, na cadeira nº 25, cujo patrono é Lídia Bais.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) divulgou uma nota de pesar, lamentando a morte do acadêmico. A instituição destacou sua contribuição para a formação de pesquisadores e profissionais da área de Letras. A ASL manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e alunos. A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras perde um de seus membros.

Com o falecimento de Paulo Nolasco, as cadeiras que ele ocupava nas Academias Sul-Mato-Grossense e Douradense de Letras ficarão vagas. Futuramente, novas eleições definirão os próximos membros para preenchê-las.