O Distrito Agroindustrial Norberto Teixeira (Dianot), em Aparecida de Goiânia, Goiás, está se consolidando como um dos maiores polos industriais do Centro-Oeste. Com o lançamento da segunda etapa de credenciamento de empresas em 14 de outubro de 2026, o projeto projeta a atração de mais de R$ 1 bilhão em investimentos privados e a geração de até 20 mil empregos diretos e indiretos, redefinindo o cenário econômico da região.
A iniciativa do Governo de Goiás transformou a área de mais de 2 milhões de metros quadrados, que antes abrigava o complexo prisional, em um centro de desenvolvimento econômico. Essa mudança de vocação atende a uma demanda histórica da população de Aparecida de Goiânia pela remoção das unidades penitenciárias, abrindo caminho para um futuro de crescimento e oportunidades.
O Dianot foi planejado para receber mais de 200 empresas em seus 359 lotes, com uma infraestrutura completa e moderna. As primeiras indústrias já devem iniciar suas construções ainda em 2026, e mais de 30 empresas já possuem a Concessão de Direito Real de Uso (CDRU), um passo fundamental para a instalação.
Qual o impacto esperado do Dianot na geração de empregos e investimentos?
A expectativa de gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos é um dos pilares do projeto, conforme apresentado pelo presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Luiz Antônio Rosa, durante o lançamento da segunda etapa de seleção em 14 de outubro de 2026. Esses postos de trabalho serão distribuídos em diversos segmentos, como agroindústria, alimentos, logística, armazenagem, distribuição, fabricação de insumos e serviços industriais.
Os investimentos privados já superam a marca de R$ 1 bilhão, um indicativo da confiança do setor empresarial no potencial do Dianot. Além disso, o Governo de Goiás destina cerca de R$ 140 milhões em recursos públicos para infraestrutura essencial, garantindo que o distrito ofereça as condições ideais para as operações das futuras empresas.
Na primeira etapa de seleção, 67 empresas foram contempladas para se instalar no distrito. Esse número superou a previsão inicial de 32 empreendimentos, graças a negociações individuais que permitiram adequar o tamanho dos terrenos solicitados. "Em mais de 70 horas de reunião, estivemos com cada um dos empresários. Foram 118 empresas que participaram, 84 selecionadas, mas somente 32 iriam entrar nessa primeira fase do Dianot. E, graças aos empresários que estão aqui, alguns diminuíram um pouco as suas áreas e nós conseguimos cadastrar 67 empresas", detalhou Luiz Antônio Rosa.
Entre as empresas já selecionadas está a Imperador Alimentos. O CEO e cofundador da empresa, Eduardo Bonfim Gomes, ressaltou o impacto positivo esperado:
"Vamos gerar emprego, produção, bem-estar social, arrecadação fiscal, tudo que é possível num polo como esse."A presença de empresas desse porte reforça a capacidade do Dianot de impulsionar a economia local e regional.
Como a infraestrutura está sendo preparada para receber as novas empresas?
A infraestrutura do Dianot é um dos pontos cruciais para seu sucesso. Os R$ 140 milhões em investimentos públicos estão sendo aplicados na construção de redes de água e esgoto, energia elétrica, sistemas de drenagem, pavimentação das vias internas e estruturas para tratamento e armazenamento de água. Essa base sólida é fundamental para atrair e manter empresas de grande porte.
Um dos maiores desafios logísticos de um polo industrial é o acesso. Pensando nisso, o Governo de Goiás autorizou, em 24 de setembro, a duplicação de 3,84 quilômetros do Eixo Viário que conectará Aparecida de Goiânia à região do Vale das Pombas, em Goiânia, ampliando significativamente o acesso ao Dianot. A obra, sob responsabilidade da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), contempla a duplicação da Avenida Copacabana, no Vale das Pombas, até a ponte na divisa com Bela Vista de Goiás.
O projeto do eixo viário inclui a construção de uma ponte de 30 metros sobre o Ribeirão Santo Antônio, além de ciclovia e calçada para pedestres, promovendo não apenas a fluidez do tráfego, mas também a segurança e a mobilidade sustentável. Com prazo de execução de oito meses, a conclusão está prevista para maio de 2027.
A presidente da Goinfra, Eliane Simonini, destacou a importância dessa intervenção para a mobilidade regional:
"Sabemos que muitas pessoas trabalharão ali, mas também são moradores da região que vão precisar acessar o Dianot de maneira mais segura, tranquila e, quem sabe, até deixando de usar os seus veículos automotores, contribuindo até para a parte ambiental. Vai desafogar a BR-153 e vai melhorar o trânsito, o tráfego e a mobilidade em toda a região."
Este novo eixo viário será vital para a conectividade do Dianot, ligando-o a outros importantes polos como o Parque Industrial Vice-Presidente José Alencar, o Distrito Industrial Municipal de Aparecida de Goiânia (Dimag), o Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia (Daiag), e a região do Vale das Pombas. Além disso, ampliará as opções de acesso à GO-020 e aos municípios de Bela Vista de Goiás e Hidrolândia, otimizando o fluxo de mercadorias e pessoas no Centro-Oeste.
Outras medidas importantes incluem a assinatura de um termo de cooperação com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) para viabilizar a licença de abastecimento de água do Dianot, e um decreto de desapropriação das áreas necessárias para a execução do segundo trecho do Eixo Viário. Essas ações demonstram o compromisso do governo em preparar a região para a expansão do distrito.
Qual o papel da parceria público-privada e da gestão municipal no sucesso do Dianot?
A Prefeitura de Aparecida de Goiânia atua como parceira fundamental na implantação do Dianot. O prefeito Leandro Vilela (MDB) tem enfatizado a importância de agilizar os procedimentos municipais para a instalação dos empreendimentos.
"O poder público tem que ser um tutor, facilitador, não dificultador do processo de investimentos dos nossos empresários aqui. Então já está determinado: podem se montar, se aparelhar rapidamente para que nós possamos dar agilidade", afirmou o prefeito.
Essa sinergia entre o governo estadual, a Codego e a prefeitura é classificada pelo prefeito como um marco para a política de desenvolvimento industrial da cidade. A atuação conjunta é essencial para a consolidação do projeto, que não só trará empregos e produção, mas também contribuirá significativamente para a arrecadação municipal e o desenvolvimento econômico local.
O Dianot representa a transformação de um passivo social em um ativo econômico. A transferência do complexo prisional, que ficou parado por quase duas décadas, e a subsequente incorporação do terreno ao novo distrito, foram passos decisivos para "destravar" o projeto, que agora avança a passos largos.
O que a segunda etapa de credenciamento significa para o futuro do distrito?
Lançada em 14 de outubro de 2026, a segunda etapa de seleção de empreendimentos é um marco para a expansão do Dianot. O novo edital prevê o credenciamento permanente de empresas por 12 meses, oferecendo 146 módulos adicionais, distribuídos em aproximadamente 560 mil metros quadrados. Essa abordagem flexível visa atrair um leque ainda maior de empresas, adaptando-se às suas necessidades específicas.
A expectativa é que, com o credenciamento contínuo e a infraestrutura em constante evolução, o Dianot não apenas atinja a meta de 200 empresas, mas também se estabeleça como o segundo maior, e potencialmente o maior, parque industrial de Goiás. A conclusão total da infraestrutura, embora algumas obras viárias se estendam até 2027, está planejada para acompanhar o ritmo de instalação das indústrias, garantindo um ambiente propício ao crescimento.
Para o Centro-Oeste, o Dianot simboliza um avanço na diversificação econômica e na atração de capital. Ao oferecer um ambiente planejado e com incentivos, Goiás se posiciona como um polo de desenvolvimento industrial, capaz de gerar riqueza e oportunidades para milhares de famílias na região. A mobilidade aprimorada e a infraestrutura moderna são diferenciais que prometem impulsionar ainda mais o crescimento do estado.