As exportações industriais de Mato Grosso do Sul atingiram US$ 7,8 bilhões em 2025, consolidando o estado como potência industrial. Este valor representou 73% do total das vendas externas estaduais, impulsionando a economia regional e impactando o Centro-Oeste.

Para os moradores da região, o avanço industrial sul-mato-grossense significa mais oportunidades de emprego e aumento da renda.

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Municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência experimentam essa transformação diretamente. Em Inocência, a instalação de uma fábrica da Arauco ampliará ainda mais a capacidade produtiva e a geração de empregos.

O governo estadual investe em educação profissional nas escolas para qualificar a mão de obra, a fim de atender à demanda crescente do setor e garantir que a população local aproveite as novas vagas.

Exportações Industriais de MS por Setor (2025)

Celulose3,1US$ bilhõesComplexo Frigoríf…2,5US$ bilhõesSetor Sucroenergé…0,8US$ bilhõesOutros1,4US$ bilhões
Fonte: Sistema Fiems, Observatório da Indústria

Crescimento e as exportações industriais de Mato Grosso do Sul

A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) estadual cresceu de 5,5% em 2002 para 14,74% em 2023, equivalente a R$ 23,8 bilhões. Em 2025, essa fatia atingiu 15,73%, superando Goiás (12,92%), Mato Grosso (7,23%) e a média nacional (13,7%).

Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações totais de Mato Grosso do Sul somaram US$ 9,22 bilhões, crescendo 12,5% em relação aos US$ 8,19 bilhões de 2025. O superávit comercial do estado chegou a US$ 7,43 bilhões, um aumento de 17,5% em comparação com os US$ 6,32 bilhões de janeiro a setembro de 2025.

As exportações industriais alcançaram US$ 4,68 bilhões entre janeiro e julho de 2026, o maior valor já registrado para o período na série histórica, e representaram 65% da receita total das exportações do estado. De janeiro a agosto de 2026, a indústria estadual exportou US$ 5,39 bilhões, com crescimento de 5% sobre o mesmo período do ano anterior.

Os setores de celulose, frigoríficos e bioenergia impulsionaram o avanço em 2025, somando 82% das exportações industriais. A celulose liderou com US$ 3,1 bilhões, seguida pelo complexo frigorífico, com US$ 2,5 bilhões, e pelo setor sucroenergético, com US$ 806 milhões.

Fonte: Sistema Fiems, Observatório da Indústria, 2025
Setor IndustrialValor Exportado (US$ bilhões)Participação nas Exportações Industriais
Celulose3,139,7%
Complexo Frigorífico2,532,1%
Setor Sucroenergético (Bioenergia)0,80610,3%
Outros1,39417,9%

Em 2026, a soja foi o principal produto exportado até setembro, com US$ 2,86 bilhões (31,08% do total), seguida pela celulose (26,42%) e carne bovina (17,82%). A agropecuária, por sua vez, cresceu 28,52% no valor exportado e 13,75% no volume comercializado até setembro de 2026.

Investimentos e geração de empregos

O setor industrial de Mato Grosso do Sul reúne mais de 8,2 mil empresas e emprega cerca de 181 mil trabalhadores formais. A massa salarial da indústria em 2025 foi de R$ 7 bilhões, superior ao orçamento público de Campo Grande projetado para 2026, que é de R$ 6,97 bilhões.

Entre janeiro e agosto de 2026, a indústria gerou cerca de 50% de todas as novas vagas formais abertas no estado. A construção civil destacou-se, impulsionada por investimentos bilionários na expansão da cadeia florestal e da celulose.

Mais de R$ 115 bilhões em investimentos industriais estão previstos ou em execução entre 2023 e 2030, e podem gerar mais de 18 mil empregos diretos na operação. Isso demonstra a confiança do setor privado no ambiente de negócios do estado.

O chamado “Vale da Celulose”, com municípios como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, concentra 30 empresas e aproximadamente 20 mil trabalhadores formais. Novos empreendimentos como a fábrica da Arauco, em Inocência, e o projeto da Bracell, em Bataguassu, ampliarão ainda mais a capacidade produtiva e a geração de empregos.

A indústria frigorífica também tem números expressivos. Com 136 empresas e mais de 40 mil trabalhadores, o setor produziu 1,06 milhão de toneladas de carne bovina no último ano. Suas exportações saltaram de US$ 196,1 milhões em 2006 para US$ 2,47 bilhões em 2025.

Já o setor de bioenergia tem 22 usinas e mais de 22,3 mil profissionais. Um dos exemplos é a Usina Sonora, que começou a funcionar em 1976, antes mesmo da criação de Mato Grosso do Sul, e atualmente emprega 1.650 pessoas em um município de aproximadamente 15 mil habitantes. A produção de etanol de milho, biogás e biometano abre uma nova frente de expansão para o setor.

Vozes do desenvolvimento

O governo estadual trabalha para atrair empresas, criando um ambiente positivo e harmônico. O governo coordena este processo, investindo em infraestrutura, logística e educação, com foco na educação profissional nas escolas.

Sérgio Longen, presidente da Fiems, parabenizou o estado pelos seus 49 anos e destacou os números positivos da economia e o ambiente favorável aos negócios. Para Longen, a transformação de matérias-primas dentro do estado gera empregos, renda e melhores condições de vida para toda a população.

O economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, destacou que a trajetória mostra uma mudança estrutural na economia sul-mato-grossense. “O resultado é uma economia mais diversificada e menos dependente da exportação de matérias-primas sem processamento. Em vez de apenas produzir, Mato Grosso do Sul passou a agregar valor dentro de suas próprias fronteiras”, afirmou Resende.

Contexto regional e desafios futuros

Mato Grosso do Sul passa por uma “revolução silenciosa” na industrialização, impulsionada pela sinergia entre campo e indústria. O Valor da Transformação Industrial (VTI) em Mato Grosso do Sul aumentou 179% nos últimos 10 anos, o maior crescimento da indústria de transformação do país no período.

Historicamente, a expansão da fronteira agrícola e programas de incentivo nas décadas passadas prepararam o Centro-Oeste para se consolidar como grande produtor de grãos e carne. Nos últimos anos, os setores industriais, imobiliários e financeiros cresceram, e investimentos em infraestrutura ampliaram a conexão da região.

No entanto, a sustentabilidade do crescimento industrial exigirá atenção a novos fatores de competitividade. A necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura logística integrada e a formação de mão de obra qualificada também serão essenciais para manter o ritmo de crescimento.