A capital sul-mato-grossense, Campo Grande, se prepara para receber a IX Mostra Sesc de Cinema, um evento cultural que promete movimentar a cena audiovisual da região. Entre os dias 13 e 16 de outubro, o Sesc Teatro Prosa será palco da exibição gratuita de 12 filmes, com um forte enfoque em produções de Mato Grosso do Sul. As sessões, que terão início pontualmente às 19h, oferecem uma oportunidade única para o público acessar obras independentes e diversificadas, com ingressos disponíveis para retirada antecipada a partir das 14h desta sexta-feira (9), exclusivamente pela plataforma Sympla.

Esta nona edição da Mostra Sesc Cinema Campo Grande reforça o compromisso da instituição com a difusão cultural e o estímulo à produção cinematográfica local. A iniciativa não apenas democratiza o acesso ao cinema de qualidade, mas também projeta os talentos regionais para um público mais amplo, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural do Centro-Oeste brasileiro.

▶ PRESSÃO DO SENADO NO STF, estratégias do 2º Turno e mais de 800 vagas de emprego no ABC | Ep. 368 · ABCdoABC

Qual a relevância da Mostra Sesc para o cinema sul-mato-grossense?

A Mostra Sesc de Cinema desempenha um papel crucial na valorização e circulação das produções audiovisuais de Mato Grosso do Sul. Ao dedicar grande parte de sua programação a filmes realizados no estado, o evento oferece uma vitrine essencial para diretores, produtores e artistas locais. Este ano, 11 dos 12 filmes exibidos são de realizadores sul-mato-grossenses, demonstrando a riqueza e a diversidade do cenário cinematográfico da região.

A seleção de filmes aborda uma gama variada de temas, refletindo as múltiplas facetas da sociedade e da cultura de Mato Grosso do Sul. Desde histórias sobre protagonismo feminino e a luta por direitos, como em “Coragem”, até narrativas que mergulham na ancestralidade e resistência dos povos originários, a Mostra se propõe a ser um espelho das realidades e aspirações da comunidade local. Para um estado com uma vasta diversidade cultural e geográfica, como o Pantanal e as comunidades indígenas, essa representatividade é fundamental.

Quais temas serão explorados na programação?

A programação da Mostra Sesc de Cinema foi cuidadosamente estruturada em quatro eixos temáticos, cada um com sessões dedicadas a narrativas específicas. Essa organização permite que o público se aprofunde em diferentes universos e perspectivas, enriquecendo a experiência cinematográfica.

  • 13 de outubro – Mulheres em Cena: A noite de abertura, com duração total de 67 minutos, celebra o protagonismo feminino. Serão exibidos cinco filmes: “Hurluberlu”, de Suzana Dias; “Eleonora” e “Na Sombra da Chuva”, ambos de Ligia Prieto; “Vestigial”, de Júlia Mansur; e o destaque estadual “Coragem”. Este último acompanha a arte-educadora trans Emy Santos em sua jornada por respeito e direitos, um tema de grande relevância para a discussão sobre diversidade e inclusão na região.
  • 14 de outubro – Olhares Originários: Com 71 minutos de duração, esta sessão apresenta três produções que exploram a memória, ancestralidade e resistência dos povos indígenas. “Koi e o Rio”, de Ricardo Camara e Mauricio Copetti, segue o líder indígena José Koi Ofaié em sua ligação com o Rio Ivinhema. “Entre Fronteiras: Vozes do Guarani”, de Alenir Aquino Ximenes, destaca a importância da preservação da língua Guarani entre diferentes gerações. “Mapago”, de Marcus Teles, tece uma narrativa que conecta a ancestralidade Guató, a música, a família e o icônico Pantanal, revelando a riqueza cultural e ambiental do Centro-Oeste.
  • 15 de outubro – Travessias e Juventudes: Esta noite, com 40 minutos de exibição, foca nas experiências de crescimento e nos desafios da adolescência. “Balanço, Balança”, de João Gutierre, aborda o retorno de um homem à sua cidade natal e o reencontro com as memórias da infância. Em “Khaos: Sobrevivendo na Escola”, Aniela Paes explora as complexidades da adolescência e os laços de amizade.
  • 16 de outubro – Entre o Estranho e o Sensível: O encerramento da Mostra, com 55 minutos de duração, traz duas obras que transitam entre o terror psicológico e o realismo fantástico. “A Carne e o Cerne”, de Carlos Eduardo Modesto, mergulha em segredos e violências familiares. Completando a noite, “Les Garçons”, de Bruno Nishino e Marco Calábria, é a única produção do Panorama Nacional a ser exibida em Campo Grande, narrando os encontros entre um jovem garçom e um maître marcado pela guerra em um restaurante francês.

Como a Mostra Sesc contribui para o cinema independente?

A Mostra Sesc de Cinema é uma iniciativa de alcance nacional que visa ampliar a circulação do cinema independente. Nesta nona edição, o projeto selecionou 52 filmes entre mais de 1.900 inscritos de todo o Brasil, um número expressivo que demonstra a vitalidade da produção audiovisual brasileira. As obras selecionadas são divididas em Panoramas Brasil (21 filmes), Infantojuvenil (10 filmes) e Estaduais (21 filmes), garantindo uma representação diversificada de talentos e regiões.

Além da visibilidade proporcionada pelas exibições gratuitas, a Mostra prevê um investimento significativo de até R$ 222 mil em licenciamentos para as produções selecionadas. Esse apoio financeiro é crucial para os realizadores independentes, permitindo que suas obras integrem a programação do Sesc por 12 meses, com exibições em diversas cidades brasileiras. Isso significa que filmes como “Coragem” e “Koi e o Rio”, que têm forte apelo regional, podem alcançar públicos muito além das fronteiras de Mato Grosso do Sul, levando a cultura e as histórias do Centro-Oeste para todo o país.

A iniciativa do Sesc, parte do Sistema Comércio MS – que engloba Fecomércio MS, Sesc MS, Senac MS, Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF) e sindicatos empresariais, presidido por Juliano Wertheimer – é um pilar fundamental para a democratização do acesso à cultura e para o fomento da produção artística. Ao oferecer um espaço para obras que, muitas vezes, encontram dificuldades de distribuição em circuitos comerciais, a Mostra Sesc de Cinema reafirma seu papel como agente transformador e promotor da diversidade cultural brasileira, com um impacto direto e positivo na vida dos campo-grandenses e dos realizadores de Mato Grosso do Sul.