A 24ª Goiânia Mostra Curtas encerrou sua programação no último domingo, 11 de outubro de 2026, consolidando-se como um dos principais eventos de valorização e circulação do curta-metragem brasileiro. Realizado pelo Icumam Cultural, o festival ocupou espaços icônicos de Goiânia, como o Teatro Goiânia, a Vila Cultural Cora Coralina e a Galeria Cerrado, durante seis dias intensos dedicados ao audiovisual. A edição deste ano reuniu realizadores, estudantes, pesquisadores e um público de 7.240 pessoas, que tiveram acesso gratuito a sessões de cinema, atividades formativas, encontros e debates.
Com mais de 1,2 mil inscrições recebidas, o festival exibiu 75 filmes de curta-metragem, oriundos de 17 estados brasileiros e do Distrito Federal, culminando na premiação de 16 produções de cinco estados. A diversidade foi o ponto alto, com mostras como Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Goiás, Curta Mostra Origens – Curtas Universitários Goianos, 23ª Mostrinha e Curta Mostra Especial – Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro, que apresentaram diferentes perspectivas do cinema contemporâneo e do debate sobre a política da narrativa.
Qual o impacto da Goiânia Mostra Curtas para o cinema nacional e regional?
A Goiânia Mostra Curtas transcende a mera exibição de filmes, posicionando-se como um pilar essencial para o desenvolvimento do cinema independente no Brasil, com um foco particular no Centro-Oeste. Para a região, o festival representa uma vitrine vital para talentos locais e uma plataforma de intercâmbio com o cenário nacional. A diretora-geral do festival, Maria Abdalla, ressaltou a importância de ir além da exibição: "A cada edição, o Goiânia Mostra Curtas propõe uma reflexão sobre o papel do cinema. Se no ano passado discutimos a política da memória, neste ano queremos pensar quem conta as histórias, quais narrativas ganham espaço e como as imagens influenciam a maneira como compreendemos o presente e imaginamos o futuro".
O evento gerou mais de 290 empregos, movimentando a economia criativa local e regional. Além disso, a participação de 82 parceiros e 167 convidados demonstra a amplitude e o reconhecimento que o festival alcançou. Essa estrutura de apoio e fomento é crucial para a sustentabilidade do setor audiovisual, especialmente em um estado como Goiás, que tem buscado fortalecer sua produção cultural. A presença de filmes de 17 estados e do Distrito Federal, além de roteiros premiados de Goiás e Mato Grosso do Sul, sublinha o caráter nacional do festival e sua capacidade de atrair produções de diversas partes do país, enriquecendo o diálogo cinematográfico.
Como o festival fomenta novos talentos no Centro-Oeste?
Um dos grandes diferenciais da Goiânia Mostra Curtas é seu compromisso com a formação e o desenvolvimento profissional. O Laboratório de Roteiros Audiovisuais do Centro-Oeste, integrado à programação, funcionou como uma verdadeira incubadora de talentos regionais. Este laboratório ofereceu um espaço crucial para o desenvolvimento de novos projetos e a troca de experiências entre iniciantes e profissionais consagrados do audiovisual. A iniciativa é de suma importância para a região, que muitas vezes carece de estruturas robustas de fomento e capacitação.
Na edição de 2026, o Laboratório de Roteiros premiou dois projetos com a Seleção ABRA – Associação Brasileira de Autores Roteiristas, ambos com forte conexão regional: o roteiro de ficção "Chassi", da roteirista Isabelly da Costa Vieira, de Mato Grosso do Sul, e o roteiro de documentário "Esmeralda", do roteirista Daniel Bandeira, de Goiás. Esses reconhecimentos não apenas validam o potencial criativo da região, mas também abrem portas para que esses projetos se desenvolvam e alcancem as telas, enriquecendo o panorama do cinema do Centro-Oeste. A Curta Mostra Origens – Curtas Universitários Goianos, por sua vez, dedicou-se exclusivamente a revelar talentos emergentes das universidades goianas, mostrando o território como matéria viva para novas narrativas.
Além disso, o festival promoveu uma série de atividades formativas, como cursos, rodas de conversa e estudos de caso, que aproximaram o público e os profissionais do setor. A 23ª Mostrinha, voltada para o público infantil, exemplificou a missão de formar novos espectadores e estimular a criatividade desde cedo, com produções inventivas e focadas na oralidade. "O festival é um espaço de encontro entre filmes, realizadores, estudantes, pesquisadores e público. Mais do que exibir obras, queremos fortalecer o curta-metragem como um lugar de criação, de troca e de construção de novas perspectivas para o cinema brasileiro", concluiu Maria Abdalla.
Quais foram os destaques e filmes premiados na 24ª edição?
A cerimônia de encerramento, realizada no Teatro Goiânia com entrada gratuita, foi o ponto alto das premiações, reconhecendo o esforço criativo de equipes de todo o país. Foram 16 curtas-metragens premiados em diversas categorias, refletindo a pluralidade e a qualidade das produções apresentadas. A lista de vencedores incluiu filmes de Goiás, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraíba, São Paulo e Mato Grosso do Sul, demonstrando a abrangência geográfica e temática do festival.
- Curta Mostra Brasil:
- Melhor Filme: "Grão" (RS), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa.
- Melhor Direção: Luciana Vieira, por "Joqueta" (CE).
- Prêmio Especial do Júri: "Pinguim de Doce de Leite" (GO), de Ana Vitoria Miotto.
- Prêmio Seleção Especial Sesc TV SP: "Banho Maria" (RS), de Gabriel Faccini.
- Menção Honrosa: "O ponto do mel" (PB), de Mirian Oliveira e Pedro Lessa.
- Curta Mostra Goiás:
- Melhor Filme: "Tião Personal Dancer" (GO), de Aristótelis Tothi.
- Melhor Direção: Carlos Cipriano e Amanda Vázquez, por "Los Jimaguas" (GO).
- Prêmio Seleção Especial Sesc TV SP: "Tião Personal Dancer" (GO), de Aristótelis Tothi.
- Menção Honrosa: "Cidão" (GO), de Alessandra Gama.
- Curta Mostra Origens – Curtas Universitários Goianos:
- Melhor Filme: "Corpos Santos" (GO), de Hítallo Torquato e Amanda Rosa.
- Melhor Direção: "Não Existe Ninja de Pele Preta" (GO), de Erik Ely.
- Prêmio Especial do Júri: "Depois Que Meus Dentes Caíram" (GO), de Mariana Melo.
- Menções Honrosas: "Vá pro Inferno!" (GO), de Mikaela Schmidt, e "Partes de Mim que Esqueci" (GO), de Martins Samara.
- 23ª Mostrinha:
- Melhor Filme Júri Popular: "Passa a Bola" (SP), de Guilherme Herrera Falchi.
- Laboratório de Roteiros Audiovisuais do Centro-Oeste – Seleção ABRA:
- Roteiro de ficção: "Chassi" (MS), da roteirista Isabelly da Costa Vieira.
- Roteiro de documentário: "Esmeralda" (GO), do roteirista Daniel Bandeira.
A edição de 2026 também foi marcada por homenagens significativas. A abertura do festival, em 6 de outubro, reverenciou a artista Linn da Quebrada por sua trajetória e contribuição para o audiovisual e a produção artística brasileira, com um pocket show "Corpo Cruzado". O festival também destacou o trabalho essencial do coletivo Sertão Negro, com um recorte de Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro, evidenciando produções que utilizam o horror, a ficção científica e o afrofuturismo para quebrar estereótipos na sétima arte. Esses reconhecimentos reforçam o papel do festival não apenas como plataforma de exibição, mas também como um espaço de celebração e reflexão sobre a diversidade e a representatividade no cinema.