Cuiabá, Mato Grosso – O Governo de Mato Grosso anunciou a conclusão das obras do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), em Cuiabá, uma estrutura que se destaca como o maior hospital veterinário de animais silvestres exclusivo das Américas. Localizado no Centro Político Administrativo da capital mato-grossense, o complexo aguarda apenas a finalização da aquisição de equipamentos e mobiliário para iniciar seus atendimentos, prometendo revolucionar a gestão e assistência à fauna silvestre na região e no país.

Com mais de 4 mil metros quadrados de área construída e um investimento de cerca de R$ 23 milhões, o Cetras representa um marco significativo para a conservação ambiental. Este centro não será apenas um hospital, mas uma central completa para o tratamento e reabilitação de animais silvestres, abrangendo desde resgates e apreensões até entregas voluntárias, com capacidade para atender até cinco mil animais, dependendo da espécie.

A Importância do Hospital Veterinário de Animais Silvestres em Mato Grosso

A inauguração do Cetras em Mato Grosso tem um impacto que transcende as fronteiras estaduais, beneficiando toda a região Centro-Oeste do Brasil. Conhecida por sua vasta biodiversidade, que inclui biomas cruciais como o Cerrado, o Pantanal e áreas de transição para a Amazônia, a região é um hotspot de vida selvagem, mas também enfrenta desafios crescentes. Incêndios florestais, desmatamento, expansão agrícola e o tráfico de animais silvestres são ameaças constantes que resultam em um grande número de animais feridos, órfãos ou deslocados.

Anteriormente, por exemplo, Mato Grosso dependia de clínicas veterinárias credenciadas para o atendimento desses animais. Em um período recente, cerca de 1.450 animais silvestres foram resgatados e encaminhados para esses locais, com um custo aproximado de R$ 2 milhões. A maior parte dessas ocorrências concentrou-se na Baixada Cuiabana, onde 739 animais receberam cuidados especializados. No interior do estado, outros 741 animais foram atendidos em municípios com clínicas parceiras. Com o funcionamento do Cetras, toda essa demanda será absorvida pela nova unidade estadual, centralizando e otimizando os recursos e o tratamento.

A secretária de Estado de Meio Ambiente (Sema), Mauren Lazzaretti, enfatiza a qualidade da nova estrutura. “A estrutura foi cuidadosamente pensada e realizada para conferir aos animais silvestres o melhor atendimento do Brasil. O nosso objetivo é de fato atender a esses animais e cumprir a missão do órgão ambiental estadual, ampliando o atendimento e promovendo uma gestão adequada”, afirmou, conforme divulgado pelo portal Notícia Infoco.

Como o Cetras vai otimizar o atendimento aos animais?

Um dos grandes diferenciais do Cetras é seu modelo de centralização. Anteriormente, animais resgatados ou apreendidos muitas vezes precisavam ser deslocados para múltiplos locais e especialistas contratados para receber tratamentos específicos. Com o novo complexo, procedimentos especializados e cirurgias, incluindo dermatologia, oftalmologia, cirurgia ortopédica e exames de imagem, serão realizados dentro da própria estrutura do centro. Isso não apenas otimiza o tratamento, mas também minimiza o estresse e o tempo de recuperação dos animais.

O diretor da unidade, Éder Toledo, destaca que o Cetras funcionará como uma verdadeira central de atendimento. “É um centro que será referência na gestão de fauna no Estado. Com uma capacidade de atendimento de até cinco mil animais, a depender da espécie. Vamos receber aqui animais silvestres alvo de apreensão, de fiscalização, de resgate e de entregas voluntárias. Eles serão direcionados para este local para tratamento e reabilitação”, explicou Toledo ao portal Top Mídia MT.

Essa abordagem integrada é crucial para a recuperação de espécies diversas que habitam o Centro-Oeste. Dados da Coordenadoria de Fauna indicam que cerca de 70% dos atendimentos corresponderam a aves, como papagaios, araras, periquitos, passarinhos, gaviões e corujas. Além das aves, o Cetras atenderá mamíferos e répteis de médio e grande porte, como antas, onças, gambás, cachorros-do-mato, jabutis, cervos e lobos-guarás, demonstrando a amplitude de sua atuação.

Quais os benefícios de um centro de referência regional?

Para os moradores do Centro-Oeste, a existência de um centro de referência como o Cetras significa uma resposta mais rápida e eficaz aos problemas que afetam a fauna local. A região, que também se destaca pela produção agrícola, como a safra de soja em Mato Grosso, enfrenta a complexidade de conciliar desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. Eventos como queimadas, comuns em períodos de seca, e acidentes em estradas, que resultam em atropelamentos de animais, demandam uma infraestrutura robusta de atendimento.

A centralização dos serviços no Cetras permitirá não só o tratamento de emergência, mas também programas de reabilitação mais longos e eficazes, visando o retorno desses animais ao seu habitat natural sempre que possível. Além disso, a estrutura poderá servir como um polo de pesquisa e desenvolvimento de técnicas de manejo e conservação, atraindo especialistas e contribuindo para o avanço do conhecimento científico sobre a fauna brasileira.

A parceria entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) na construção do Cetras demonstra um esforço conjunto para integrar a pauta ambiental com o desenvolvimento sustentável. Este tipo de iniciativa é fundamental para mitigar os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente, um tema recorrente na agenda política e econômica da região, como visto em discussões sobre o endividamento rural ou as chuvas de primavera que definem a safra.

O Cetras não é apenas um hospital; é um símbolo do compromisso de Mato Grosso e, por extensão, do Centro-Oeste, com a proteção de sua inestimável biodiversidade. Ao oferecer uma estrutura de ponta para o cuidado da fauna silvestre, a região se posiciona na vanguarda da conservação, garantindo um futuro mais seguro para seus animais e ecossistemas.