Uma operação de crédito de R$ 111,69 milhões negociada pela Prefeitura de Cuiabá com o Banco Santander poderá representar um desembolso superior a R$ 202 milhões aos cofres municipais ao longo de dez anos. A projeção financeira, divulgada em 17 de outubro de 2026, indica que aproximadamente R$ 90,5 milhões poderão ser pagos somente em juros, além do valor originalmente contratado para o empréstimo de Cuiabá.
O financiamento tem como objetivo a execução de obras de pavimentação, requalificação viária, infraestrutura e mobilidade urbana na capital mato-grossense. A operação está vinculada ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF) e conta com previsão de garantia da União.
O que muda para os moradores de Cuiabá
A expectativa é que o empréstimo financie melhorias na infraestrutura urbana em 19 bairros da capital, o que significa que os moradores dessas áreas podem esperar ruas mais bem conservadas e melhorias na mobilidade. No entanto, a Prefeitura ainda não divulgou a relação definitiva das ruas que receberão as obras nem o cronograma detalhado das intervenções. Isso impede que a população tenha informações precisas sobre onde e quando as melhorias ocorrerão.
O custo total do empréstimo, incluindo juros, será quitado com receitas municipais e transferências constitucionais, impactando o orçamento da cidade nos próximos dez anos. O financiamento tem um prazo de dez anos para quitação, com 12 meses de carência, período em que o município pagará apenas os juros.
Detalhes financeiros da operação
O valor principal do financiamento é de R$ 111.694.855,00. A projeção de custo total de mais de R$ 202 milhões inclui os R$ 90,5 milhões em juros, além de uma taxa de estruturação de 1% sobre o valor total, equivalente a R$ 1.116.948,55. O contrato negociado com o Santander prevê prazo de 120 meses, equivalente a dez anos, e carência de 12 meses.
A taxa de juros definida é o CDI acrescido de 0,86% ao ano. Isso significa que o custo efetivo do empréstimo poderá variar conforme o comportamento do CDI durante o período de amortização, tornando a projeção de R$ 202 milhões uma estimativa e não um valor fixo.
A operação também prevê garantias importantes. A proposta legislativa autoriza a vinculação de receitas municipais e transferências constitucionais como contragarantia à União, nos limites da legislação aplicável. Essa garantia da União é um fator que, segundo a gestão, possibilitou condições mais vantajosas.
Aprovação legislativa e justificativas
A autorização legislativa para a contratação do empréstimo foi proposta pelo Executivo municipal em abril de 2026 e aprovada pela Câmara Municipal de Cuiabá em regime de urgência, com 22 votos favoráveis e 2 contrários, em 28 de abril de 2026. Os vereadores Maysa Leão (Republicanos) e Dídimo Vovô (PSB) votaram contra a proposta.
O secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, afirmou que a taxa de juros é “significativamente mais favorável do que as obtidas em operações anteriores do Município”. Ele destacou que a adesão ao PEF e o reequilíbrio fiscal permitiram essas condições, com uma economia estimada entre R$ 37 milhões e R$ 49 milhões em juros em comparação com operações anteriores. Bussiki também mencionou que o município atingiu as metas fiscais do PEF para 2025, o que garante a liberação das etapas do financiamento.
O vereador Dilemário Alencar (União Brasil), líder do Executivo na Câmara, defendeu a urgência da votação, ressaltando a importância do projeto para a infraestrutura de Cuiabá.
Contexto regional de crédito e finanças públicas
A busca por financiamentos para grandes projetos de infraestrutura não é incomum na região. O Centro-Oeste tem demonstrado dinamismo no mercado de crédito. Em maio de 2025, o saldo total de crédito para pessoas físicas na região cresceu 11,2% e para empresas 8,6% em relação ao ano anterior. Mato Grosso, em particular, registrou um crescimento de 11,61% no crédito para consumidores, embora a inadimplência ainda seja uma preocupação, com 50,01% da população negativada no estado.
Em Cuiabá, houve um empréstimo anterior de R$ 139 milhões contraído junto ao Banco do Brasil em 2024. Esse financiamento foi destinado a ações de tapa-buracos, instalação de uma usina fotovoltaica, finalização do Contorno Leste e obras no Mercado do Porto, também com foco em infraestrutura e mobilidade urbana. A gestão municipal atribui as condições favoráveis do atual empréstimo à adesão de Cuiabá ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF) e ao reequilíbrio das contas públicas, que possibilitaram a obtenção de garantia da União.
Próximos passos e desafios
A documentação analisada estabelece a autorização para contratar o empréstimo, mas não comprova, isoladamente, a assinatura definitiva do contrato ou a liberação integral dos recursos. Até o momento, não foram confirmadas a data definitiva da assinatura contratual, a publicação da lista completa de obras e o cronograma de desembolsos.
O principal desafio da administração municipal será demonstrar que os investimentos previstos produzirão melhorias concretas na infraestrutura da cidade e que o custo do financiamento permanecerá compatível com a situação fiscal de Cuiabá. A transparência na escolha das obras e a capacidade de pagamento do município serão pontos de acompanhamento pelos órgãos de fiscalização e pela Câmara Municipal.