A Igreja Católica iniciou nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, o processo de beatificação do Padre João Crippa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A abertura do Inquérito Diocesano da Causa de Beatificação marcou uma sessão solene na Paróquia São José, na capital, às 18h. Com isso, o sacerdote se tornou o primeiro a receber o título de "Servo de Deus" no estado.
A cerimônia marcou os fiéis da região, que agora acompanham a trajetória do missionário salesiano italiano que dedicou a vida à comunidade. Após a sessão solene, às 19h, o arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, presidiu uma missa em ação de graças.
Autoridades eclesiásticas e pesquisadores estiveram presentes. O Dr. Paolo Vilotta, postulador da causa, veio de Roma, na Itália. Entre os presentes estavam Dom André Alves dos Santos, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI), e os vice-postuladores: Padre Paulo Roberto, pároco da Paróquia São José; Padre Tiago Figueiró, representante da Missão Salesiana de Mato Grosso; e o professor doutor Fábio do Vale, biógrafo e membro da ABRHAGI.
O que muda para os fiéis do Centro-Oeste
Para os moradores de Mato Grosso do Sul e do Centro-Oeste, a abertura da causa de beatificação do Padre João Crippa traz mudanças. A Paróquia São José, em Campo Grande, onde seus restos mortais estão sepultados, pode virar polo de devoção e peregrinação. Os fiéis devem relatar graças alcançadas por intercessão do sacerdote, informações essenciais para o avanço do processo.
O reconhecimento como "Servo de Deus" inicia o processo formal. Se a investigação comprovar virtudes heroicas, ele poderá ser declarado "Venerável". Depois, com o reconhecimento de um milagre pela Igreja, ele poderá ser beatificado e, finalmente, canonizado. A canonização o tornaria o primeiro santo oficialmente associado a Mato Grosso do Sul, um marco histórico e religioso para o estado.
A trajetória do Padre João Crippa no Brasil
Nascido em 10 de outubro de 1861, em Asso, Lombardia, na Itália, João Crippa ingressou na formação salesiana em 1885 e teve contato direto com São João Bosco, fundador da congregação. Ordenou-se sacerdote em 17 de fevereiro de 1894 e, após atuar no Uruguai e em São Paulo, chegou ao então Mato Grosso em 1912.
No Centro-Oeste, o Padre João Crippa trabalhou intensamente na pastoral e missões. Em Cuiabá, participou de iniciativas com os Bororo. Mais tarde, atuou em municípios do sul do antigo Mato Grosso, como Aquidauana, Miranda, Campo Grande e Três Lagoas. Sua dedicação às comunidades e o trabalho com crianças e jovens deixaram um legado importante.
Em Campo Grande, o Padre Crippa adquiriu os primeiros lotes para a construção do Oratório São José em 1925, conhecido popularmente como “Capelinha”. O espaço acolhia crianças e jovens, com catequese, oração, convivência e recreação, seguindo o modelo dos oratórios festivos de Dom Bosco.
Com o crescimento da comunidade, o Padre Crippa planejou a construção de uma igreja maior, dedicada a São José. A pedra fundamental foi lançada em 15 de maio de 1938, e as obras começaram no ano seguinte. Ele, porém, não viu o templo concluído, inaugurado em 1949, que deu origem à atual Paróquia São José.
O Padre João Crippa faleceu em Três Lagoas, aos 79 anos, em 1º de agosto de 1941. Seus restos mortais foram sepultados depois em uma capela no interior da Igreja São José, em Campo Grande, hoje ponto de devoção.
Para mais informações sobre a história do Padre João Crippa e seu caminho para a santidade, clique aqui para ler sobre Padre João Crippa como Servo de Deus de Mato Grosso do Sul.
Próximos passos da causa
O inquérito diocesano inicia a investigação. Documentos e depoimentos avaliarão a vida do sacerdote, suas virtudes (teologais e cardeais) e a fama de santidade. A Igreja Católica analisará o material conforme suas normas e, se aprovado, o encaminhará ao Vaticano.
Depois, analisam-se as virtudes heroicas. Se aprovadas, ele pode ser declarado "Venerável". Para a beatificação, exige-se um milagre atribuído à intercessão do Servo de Deus. Para a canonização, para se tornar santo universal, um segundo milagre é exigido. A decisão final sobre beatificação e canonização cabe às autoridades da Igreja, após rigorosa investigação.