A crise financeira do Goiás Esporte Clube se aprofunda, com quatro meses de salários e direitos de imagem atrasados para os jogadores e dois meses para os funcionários. A situação levou à paralisação dos treinos na manhã de quinta-feira (5) e a um protesto de torcedores na sede administrativa do clube, a Serrinha, em Goiânia.

A dívida imediata do clube, que inclui vencimentos e premiações, aproxima-se de R$ 12 milhões, segundo dirigentes ouvidos pela reportagem. Além dos débitos, a rotina do centro de treinamento (CT) é afetada pela escassez de suprimentos básicos, como pão e manteiga, conforme relatou Iron Kioma, presidente da Força Jovem Goiás.

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Protesto de torcedores e paralisação de treinos

Cerca de 30 torcedores da organizada Força Jovem foram à Serrinha na tarde de quinta-feira (5) para cobrar providências da diretoria e manifestar apoio ao elenco. Eles se reuniram com o presidente executivo, Munir Calixto, e o diretor financeiro, Leonardo Pacheco, mas não obtiveram uma data concreta para a quitação dos débitos.

"Não tem nada concreto: não tem data para pagamento de funcionários e não tem data para pagamento de jogadores", afirmou Iron Kioma após o encontro, ao portal ge. O líder da torcida também descreveu a situação do CT: "O que foi ventilado ali é que, no CT, estão faltando coisas básicas, como manteiga, fornecedor de pão. O clube hoje está literalmente às traças, não temos uma infraestrutura cabível a isso".

A paralisação dos treinos pelos jogadores na quinta-feira (5) foi uma forma de protesto contra os atrasos. Apesar da falta de uma solução definitiva, os atletas planejam retomar as atividades nesta sexta-feira (6), mantendo o foco nas duas últimas rodadas da Série B.

Histórico da crise financeira no Goiás Esporte Clube

A crise no Goiás não é recente. Em maio de 2026, o diretor de futebol Michel Alves já havia revelado o primeiro mês de atraso salarial. Em 20 de setembro de 2026, jogadores e o técnico Mozart realizaram um protesto silencioso, recusando-se a dar entrevistas após uma vitória. Uma semana depois, em 27 de setembro de 2026, o elenco divulgou uma carta aberta detalhando dois meses de atraso em salários e direitos de imagem, além de cinco premiações por vitória pendentes. Leia mais sobre os problemas financeiros do clube em 2026.

Em 2 de novembro de 2026, o técnico Mozart atualizou a situação, informando que os salários estavam atrasados há quatro meses. O treinador tem exaltado a postura dos atletas por manterem a dedicação e o clube na briga pelo acesso à Série A, mesmo diante das dificuldades.

Os balancetes oficiais do Goiás indicam um déficit acumulado superior a R$ 21 milhões entre janeiro e setembro de 2026.

Goiás no cenário regional e nacional

A situação do Goiás Esporte Clube reflete a instabilidade financeira que afeta clubes brasileiros. O passivo total do clube, segundo dados da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) de 31 de dezembro de 2025, era de R$ 114 milhões. Veja a análise completa das dívidas dos clubes brasileiros.

Fonte: ANRESF, 2025
ClubeDívida Total (R$)Posição Nacional de Endividamento
Vila Nova155 milhões27º lugar
Goiás114 milhões28º lugar
Atlético-GO42 milhões33º lugar

Próximos passos e a busca pelo acesso

Apesar da grave crise, o Goiás Esporte Clube permanece na disputa pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. O time soma 55 pontos e ocupa a sétima colocação na tabela, com a mesma pontuação do CRB, que leva vantagem no saldo de gols. O Sport e o Atlético-GO também estão na briga pelas últimas vagas do grupo de acesso.

O clube busca uma operação de empréstimo para tentar regularizar os pagamentos, mas essa negociação ainda não foi concretizada. Uma antecipação superior a R$ 400 mil da Federação Goiana de Futebol (FGF) foi recebida e deve ser usada nesta sexta-feira (6) para quitar três premiações atrasadas com os jogadores, conhecidas como "bichos", mas não cobre os salários.

O Esmeraldino enfrentará a Ponte Preta neste domingo (8), no Estádio Hailé Pinheiro, em Goiânia. O último jogo da Série B será contra o Sport, fora de casa. A situação financeira do Goiás Esporte Clube continua a ser um desafio para a diretoria, enquanto o elenco tenta manter o foco na reta final da competição.