A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se prepara para um leilão de transmissão que promete injetar R$ 4,1 bilhões na infraestrutura energética de Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás. O certame, agendado para 30 de outubro de 2026 na B3, em São Paulo, foca no Lote 4, o maior do Leilão de Transmissão nº 4/2026, e é visto como um passo crucial para fortalecer o sistema elétrico do Centro-Oeste e Sul do Brasil, além de impulsionar a economia regional com a geração de milhares de empregos diretos.
Este investimento bilionário é aguardado com expectativa, especialmente em Mato Grosso do Sul e Goiás, que receberão grande parte das novas linhas e subestações. A expansão da rede de transmissão é fundamental para garantir a segurança energética, escoar a produção de energia e atender à crescente demanda, que acompanha o desenvolvimento econômico da região.
O que o Lote 4 representa para Mato Grosso do Sul e Goiás?
O Lote 4, com seus R$ 4,1 bilhões em investimentos, é o carro-chefe do Leilão de Transmissão nº 4/2026. Ele abrange a construção de 1.167 quilômetros de novas linhas de transmissão, a instalação de subestações e a ampliação da capacidade de transformação em 3.600 MVA (megavolt-amperes). A Aneel estima que a execução dessas obras gerará aproximadamente 8.225 empregos diretos nos três estados envolvidos.
Para Mato Grosso do Sul, as obras são particularmente estratégicas. Elas visam ampliar a capacidade de atendimento elétrico do estado, que tem experimentado um crescimento significativo em setores como agronegócio e indústria. Além disso, os empreendimentos contribuirão para aumentar a capacidade remanescente de geração de energia e, de forma notável, para a interligação internacional entre Brasil e Bolívia, um projeto de grande relevância geopolítica e econômica para a região.
Em Goiás, o investimento também é vital para a robustez do sistema elétrico. O estado, que é um polo agroindustrial e logístico do Centro-Oeste, necessita de uma infraestrutura de transmissão cada vez mais eficiente para suportar seu desenvolvimento e garantir o fornecimento contínuo de energia para residências, comércios e indústrias.
Detalhes dos Sublotes: Linhas e Subestações Estratégicas
O Lote 4 está dividido em dois sublotes, 4A e 4B, que serão disputados separadamente no leilão, mas considerados em conjunto conforme as regras do edital. Essa divisão permite uma gestão mais granular dos projetos, mas a sinergia entre eles é clara para o fortalecimento da malha energética regional.
Sublote 4A: Conectando MS e Paraná
Com investimento estimado em R$ 2,21 bilhões, o sublote 4A foca em obras que ligarão Mato Grosso do Sul ao Paraná. O projeto mais relevante é a construção de uma linha de transmissão de 500 quilovolts (kV) entre Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, e Sarandi, no Paraná. Essa linha terá uma extensão de 310 quilômetros por circuito, representando um reforço significativo na conexão entre os dois estados.
Além da linha de transmissão, estão previstas importantes instalações na subestação de Rio Brilhante, incluindo novos equipamentos de transformação e compensação síncrona. Esses componentes são cruciais para a estabilidade e a qualidade da energia transmitida, ajudando a controlar a tensão e a garantir a confiabilidade do sistema elétrico.
Sublote 4B: Reforço para MS e Goiás
Avaliado em R$ 1,91 bilhão, o sublote 4B concentra seus esforços em Mato Grosso do Sul e Goiás. As obras incluem duas linhas de transmissão de 500 kV: uma entre Rio Verde Norte, em Goiás, e Chapadão, em Mato Grosso do Sul, com 217 quilômetros de extensão; e outra entre Chapadão e Rio Brilhante, ambas em Mato Grosso do Sul, com 330 quilômetros.
Essas novas linhas criarão um anel de transmissão mais robusto, aumentando a capacidade de fluxo de energia e reduzindo gargalos. A conexão entre Rio Verde Norte e Chapadão é estratégica para integrar a produção e o consumo de energia entre os dois estados do Centro-Oeste, enquanto a linha Chapadão-Rio Brilhante reforça a malha interna de Mato Grosso do Sul, preparando o estado para futuras demandas e projetos de geração.
Como funciona o Leilão de Transmissão da Aneel?
O Leilão de Transmissão nº 4/2026, assim como outros certames promovidos pela Aneel, tem como objetivo selecionar as empresas ou consórcios responsáveis pela construção, operação e manutenção das instalações de transmissão. A disputa ocorre por meio de propostas de Receita Anual Permitida (RAP), que é o valor que as concessionárias poderão receber anualmente pela prestação do serviço.
A empresa ou consórcio que apresentar a menor RAP, respeitando o limite estabelecido no edital, é declarado vencedor. Para o Lote 4, a receita anual máxima prevista é de R$ 762,63 milhões. Desse total, R$ 409,32 milhões são destinados ao sublote 4A e R$ 353,32 milhões ao sublote 4B. Esse mecanismo busca garantir a eficiência e a modicidade tarifária, ou seja, que o custo da transmissão seja o menor possível para o consumidor final.
Os contratos de concessão, uma vez assinados, estabelecem prazos rigorosos para a conclusão das obras. Para o Lote 4, a entrada em operação comercial dos empreendimentos deve ocorrer em até 60 meses após a assinatura dos documentos. Para os demais lotes do leilão, os prazos variam de 42 a 60 meses, refletindo a complexidade e a extensão de cada projeto.
Impacto Regional e Geração de Empregos
Além dos R$ 4,1 bilhões para MS, PR e GO, o Leilão de Transmissão nº 4/2026 prevê um investimento total de R$ 8,9 bilhões em oito lotes, abrangendo sete estados brasileiros: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. No conjunto, serão licitados 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e seccionamentos, além da continuidade da prestação de serviços em 483 quilômetros de linhas existentes.
Os empreendimentos incluem ainda a instalação de 12.694 MVA de capacidade de transformação, a continuidade de 600 MVA já instalados e quatro compensações síncronas, equipamentos essenciais para a estabilidade do sistema elétrico nacional. A expectativa da Aneel é que a execução de todas as obras do leilão gere um total de 20.312 empregos diretos, um impacto socioeconômico significativo para as regiões beneficiadas.
Para o Centro-Oeste, os investimentos em Mato Grosso do Sul e Goiás representam não apenas a garantia de um fornecimento de energia mais robusto e confiável, mas também um estímulo direto à economia local. A construção de linhas e subestações demanda mão de obra qualificada e não qualificada, além de movimentar a cadeia de suprimentos, gerando renda e novas oportunidades em diversas cidades e comunidades.
A modernização e expansão da infraestrutura de transmissão são passos cruciais para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Com o leilão de 30 de outubro, a Aneel busca assegurar que a capacidade de transporte de energia acompanhe o crescimento do país, especialmente em regiões estratégicas como o Centro-Oeste, que desempenha um papel fundamental na produção de alimentos e na geração de riquezas para a nação.