Goiás, um dos pilares econômicos do Centro-Oeste brasileiro, registrou um superávit comercial de US$ 588,4 milhões em setembro de 2026. Este resultado é fruto de US$ 1 bilhão em Goiás exportações e US$ 430,3 milhões em importações, totalizando uma corrente de comércio de US$ 1,45 bilhão no mês. Os dados, divulgados na semana passada (15/10) pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e pela Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), também revelam que o estado alcançou o quarto maior volume de exportações acumuladas no ano.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o desempenho goiano é ainda mais expressivo, com um superávit de US$ 6,243 bilhões. Durante este período, as vendas externas somaram US$ 10,704 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 4,461 bilhões. Este cenário demonstra a robustez da economia goiana, fortemente ancorada no agronegócio e na indústria, que continua a gerar valor e manter sua competitividade no cenário global.
Como Goiás Alcançou o Superávit de Setembro?
Em setembro, a balança comercial goiana foi impulsionada por uma pauta exportadora diversificada, mas com forte concentração em commodities agrícolas. A soja liderou as exportações do mês, gerando US$ 248,89 milhões. Em seguida, destacam-se as carnes desossadas de bovino, com US$ 149,394 milhões, e as farinhas e pellets do óleo de soja, que somaram US$ 63,10 milhões. Estes produtos reforçam a importância das cadeias agroindustriais para a economia do estado e da região Centro-Oeste.
Contudo, o mês de setembro de 2026 apresentou um recuo em comparação com o mesmo período de 2025. As exportações diminuíram em 17,38%, e as importações recuaram em 12,20%, resultando em um decréscimo de 20,80% no saldo comercial mensal. Consequentemente, Goiás caiu para a 10ª colocação no ranking nacional de estados exportadores, marcando a segunda queda consecutiva na posição mensal. Apesar disso, o estado ainda é responsável por 3,2% de todas as exportações brasileiras.
Balança Comercial de Goiás (Jan-Set 2026)
No lado das importações, os principais produtos que entraram em Goiás em setembro foram o enxofre a granel, com US$ 39,406 milhões, seguido por produtos imunológicos, que somaram US$ 26,215 milhões, e caixas de marcha para veículos, com US$ 16,545 milhões. Estes itens são cruciais para o abastecimento industrial e a modernização do parque fabril goiano, evidenciando a interdependência entre os setores.
Qual o Desempenho Acumulado das Goiás Exportações em 2026?
O acumulado de janeiro a setembro de 2026 solidifica a posição de Goiás como um grande exportador. O complexo soja foi o principal motor das vendas externas, com US$ 5,4 bilhões, representando 50,59% do total exportado. O setor de carnes ocupou a segunda posição, com US$ 2,2 bilhões e participação de 20,91%, com a carne bovina respondendo por 16,23% das exportações estaduais. As vendas de carne de aves também mostraram um crescimento notável de 24,94% em relação ao mesmo período de 2025, indicando a expansão e diversificação dentro do agronegócio.
Além do agronegócio, outros segmentos contribuíram significativamente para o resultado positivo. As exportações de ferroligas somaram US$ 708 milhões, equivalentes a 6,62% do total, e os minérios de cobre alcançaram US$ 617 milhões, com participação de 5,77% e uma elevação impressionante de 79,97% no acumulado de janeiro a setembro, em comparação com o ano anterior. Este avanço reforça a diversificação da pauta exportadora goiana e a crescente relevância da indústria mineral no comércio exterior do estado, um fator importante para a economia do Centro-Oeste.
Quem São os Principais Parceiros Comerciais de Goiás?
A China desponta como o principal destino das Goiás exportações, com compras que totalizaram US$ 4,6 bilhões no acumulado de janeiro a setembro, o equivalente a 43,19% do total goiano. Somente em setembro, o país asiático gerou mais de US$ 283,4 milhões em compras. A dependência do mercado chinês é uma característica marcante do comércio exterior goiano, refletindo tendências nacionais.
Outros grandes parceiros de exportação incluem os Estados Unidos, com US$ 91,94 milhões em setembro e 6,49% do total acumulado, e os Países Baixos, com US$ 49,74 milhões em setembro e 3,36% do acumulado. Espanha (3,86%) e Canadá (2,76%) também figuram entre os principais destinos no período acumulado. Essa diversificação de mercados, embora concentrada, é vital para a resiliência econômica da região.
No que tange às importações, a China também ocupa a liderança como principal parceiro, com US$ 140,63 milhões em setembro. Em seguida, vêm os Estados Unidos, com US$ 76,92 milhões, e a Índia, com US$ 33,34 milhões. Esses países fornecem insumos e produtos essenciais para a indústria e o consumo em Goiás.
Desafios e Oportunidades para o Futuro do Comércio Goiano
Apesar dos números positivos no acumulado, a gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, ressalta a importância das cadeias agroindustriais, especialmente os segmentos associados à soja, carnes e processamento de matérias-primas agrícolas. Ela enfatiza a necessidade de diversificação setorial para reduzir a dependência de produtos sujeitos a oscilações de preços internacionais e demandas externas. Para o Centro-Oeste, essa estratégia é fundamental para mitigar riscos econômicos.
Juliana Tormin também aponta para a necessidade de avançar no processamento de produtos com maior valor agregado. “Para manter o saldo positivo e subir no ranking dos Estados exportadores, é essencial que Goiás invista em inovação, tecnologia, produtividade industrial e na conquista de novos mercados internacionais”, explicou. Essa visão é compartilhada pelo secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Sant’Anna Braga Filho.
“Os resultados confirmam a capacidade de Goiás de gerar valor e manter sua competitividade no cenário global. Superamos a marca de US$ 10 bilhões em exportações no acumulado do ano, demonstrando a força do nosso parque produtivo e do agronegócio. Esse desempenho reflete uma estratégia de desenvolvimento conduzida pelo governador Daniel Vilela, aliada ao empenho diário dos empresários goianos”, afirmou Joel Sant’Anna Braga Filho, ao portal Doa a Quem Doer.
A força exportadora de Goiás se manifesta em diversas cidades. Rio Verde liderou as vendas externas, com US$ 2,7 bilhões e 25,60% de participação no acumulado, seguido por Jataí, Alto Horizonte, Mozarlândia e Palmeiras de Goiás. Nas importações, Anápolis concentrou 44,68% das aquisições no exterior, seguida por Catalão, Aparecida de Goiânia e Goiânia. A presença de grandes polos como Anápolis, com seu distrito agroindustrial e logística estratégica, é crucial para o dinamismo do comércio exterior do estado e da região central do Brasil.