A conta de luz em Goiás terá um aumento a partir desta quinta-feira, 22 de outubro de 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou o Reajuste Tarifário Anual de 2026 da Equatorial Goiás, impactando os mais de 3,67 milhões de unidades consumidoras atendidas pela distribuidora em todo o estado. A decisão foi tomada na terça-feira, 20 de outubro, durante reunião da diretoria colegiada da agência reguladora, e já entra em vigor.

O que muda para o consumidor goiano

Para os consumidores residenciais (classe B1), o reajuste será de 7,36%. Na prática, uma conta de luz de R$ 100,00, sujeita ao novo índice para residências, passará a custar R$ 107,36. Este acréscimo direto no orçamento familiar exige atenção. A Equatorial Goiás, responsável pelo fornecimento de energia no estado, orienta os consumidores a adotarem medidas de uso consciente da energia elétrica para evitar aumentos adicionais nas despesas domésticas. O aumento se aplica a todas as unidades consumidoras atendidas pela Equatorial Goiás em todo o estado de Goiás, que tem Goiânia como sede da distribuidora e um vasto território para cobrir.

Detalhes dos novos índices tarifários

O efeito médio do reajuste para todos os consumidores da Equatorial Goiás será de 7,25%. Os clientes conectados em baixa tensão, categoria que engloba uma ampla gama de usuários, verão um aumento médio de 7,26%. Dentro da baixa tensão, estão incluídas as classes B1 (Residencial e subclasse residencial baixa renda), B2 (Rural, com subclasses como agropecuária, cooperativa de eletrificação rural, indústria rural e serviço público de irrigação rural), B3 (Industrial, comercial, serviços e outras atividades, poder público, serviço público e consumo próprio) e B4 (Iluminação pública). Já para os consumidores de alta tensão, que incluem grandes indústrias e estabelecimentos comerciais (classes A2, A3 e A4, com tensões que variam de 2,3 kV a 138 kV), o reajuste médio aprovado ficou em 7,22%.

Fatores que impulsionaram o aumento

Os principais fatores que influenciaram os novos índices tarifários incluem os custos com distribuição, transporte e aquisição de energia. A distribuidora informou que a atualização das tarifas é um processo anual conduzido e aprovado pela ANEEL, fundamental para o equilíbrio econômico-financeiro do setor. Os custos de geração de energia, especialmente devido ao uso de usinas termelétricas – que são mais caras e acionadas em momentos de menor volume nos reservatórios das hidrelétricas –, a atualização dos encargos setoriais, as tarifas de transmissão e os componentes financeiros são elementos-chave considerados no cálculo. A ANEEL também levou em conta as contribuições recebidas durante a Consulta Pública nº 24/2026, realizada entre 30 de julho e 14 de setembro, que permitiu a manifestação de diversos setores da sociedade e de consumidores sobre a proposta de reajuste.

Composição da Tarifa de Energia Elétrica (exemplo de R$ 100)

Compra, transport…33,8R$Tributos (ICMS, P…39,1R$Operação, manuten…27,2R$
Fonte: Pesquisa complementar

A composição da sua conta de luz

É importante entender como a tarifa de energia elétrica é composta, pois o valor final que chega ao consumidor é resultado de uma série de custos e tributos que vão além do consumo puro. Para cada R$ 100,00 pagos na conta de luz, os valores são distribuídos da seguinte forma:

Composição da Tarifa de Energia Elétrica (exemplo de R$ 100)
DestinaçãoValor (R$)
Compra, transporte de energia e encargos setoriais33,75
Tributos (ICMS, PIS, Cofins)39,06
Operação, manutenção e investimentos da Equatorial Goiás27,19

Esta divisão mostra que a parcela que fica com a Equatorial Goiás para custear a operação, manutenção e investimentos no sistema elétrico representa menos de um terço do valor total da conta. A maior parte é destinada a encargos, tributos e aos custos de aquisição e transmissão da energia que chega ao estado.

Reajustes na região Centro-Oeste

O reajuste em Goiás ocorre em um cenário regional de mudanças nas tarifas de energia. Na mesma terça-feira, 20 de outubro de 2026, a ANEEL também aprovou novos índices tarifários para a Neoenergia Brasília, que atende o Distrito Federal. Para os consumidores residenciais do DF, o aumento será de 1,11%, com um efeito médio de 1,92% para todas as classes de consumo. A Neoenergia Brasília atende aproximadamente 1,2 milhões de unidades consumidoras na capital federal e arredores. Contudo, a revisão tarifária da Neoenergia Brasília ainda aguarda um resultado definitivo da agência reguladora. A ANEEL identificou inconsistências nos dados de mercado da distribuidora, relacionadas à implantação de um novo sistema comercial, e as informações permanecem sob fiscalização da agência, que divulgará o resultado final após a conclusão da análise.

Histórico de reajustes e o contexto nacional

Este não é o primeiro reajuste significativo para os goianos. Em outubro de 2025, a Equatorial Goiás aplicou um reajuste médio de 18,55% nas tarifas, um índice consideravelmente superior ao aumento atual. A série de aumentos na conta de luz em Goiás reflete uma tendência nacional de elevação dos custos de energia elétrica. Entre 2013 e 2024, a tarifa de energia elétrica no Brasil mais que dobrou, impactando diretamente o poder de compra e a economia de famílias e empresas. Esse cenário é impulsionado por fatores como a forte dependência de hidrelétricas na matriz energética brasileira, as crises hídricas que levam ao acionamento de usinas termelétricas mais caras – que possuem um custo de geração mais elevado e maior impacto ambiental –, além de encargos setoriais e impostos que incidem sobre a energia. A complexidade da matriz energética brasileira, as condições climáticas e as políticas regulatórias são elementos que frequentemente impactam a formação dos preços da energia em todo o país.

Como os consumidores podem reagir ao aumento

Não há um processo de participação direta para os consumidores no reajuste tarifário anual, que é uma prerrogativa regulatória da ANEEL, garantindo a sustentabilidade e a continuidade dos serviços do setor elétrico. A agência e a distribuidora incentivam o consumo consciente de energia como principal ferramenta para mitigar o impacto do aumento nas despesas. Medidas simples, como verificar a eficiência energética de eletrodomésticos (buscando selos Procel), reduzir o tempo de banhos quentes, otimizar a iluminação natural e artificial com lâmpadas LED, e desligar aparelhos da tomada quando não estão em uso (evitando o consumo em stand-by), podem contribuir significativamente para a redução do consumo e, consequentemente, do valor final da conta. A conscientização e a mudança de hábitos são os caminhos apontados para os goianos lidarem com a nova realidade tarifária e buscarem economia.