As obras do sistema Bus Rapid Transit (BRT) que conectará Cuiabá a Várzea Grande, em Mato Grosso, atingiram um marco significativo na infraestrutura rodoviária, com 81% de execução. Apesar do avanço das pistas e da construção das estações, a operação efetiva do novo modal de transporte coletivo é esperada apenas para 2027, conforme confirmado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). Este projeto, fundamental para a mobilidade urbana da região do Centro-Oeste, busca desafogar o trânsito e oferecer uma alternativa de transporte mais eficiente para os moradores.
Quais os prazos e o real percentual de avanço do BRT?
A infraestrutura rodoviária do BRT Cuiabá Várzea Grande, que inclui as pistas exclusivas, está com 81% de sua execução concluída. A previsão contratual para a finalização dessa etapa é 18 de novembro de 2026. No entanto, o percentual geral das obras do BRT, que engloba também estações, terminais e sistemas, foi informado pela Sinfra como 25% até outubro de 2026. Essa diferença sugere que, embora as vias estejam quase prontas, outras frentes de trabalho ainda demandam tempo considerável.
Apesar do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ter afirmado em julho de 2026 que os veículos elétricos entrariam em circulação até o fim de 2026 e garantido a circulação do BRT ainda neste ano, a Sinfra mantém a previsão de início da operação apenas para 2027, sem especificar o mês. Essa divergência de prazos gera incerteza para a população do Centro-Oeste que aguarda a melhoria do transporte público.
Como será a estrutura do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande?
O projeto do BRT prevê um corredor de 15 quilômetros de extensão, conectando pontos estratégicos de Cuiabá e Várzea Grande. Ao longo desse percurso, serão construídas 23 estações de embarque e desembarque, sendo 16 na capital mato-grossense e 7 em Várzea Grande. Além disso, o sistema contará com três terminais: dois em Cuiabá (nas regiões do CPA e do Porto) e um em Várzea Grande (próximo ao Aeroporto Marechal Rondon).
As estações estão em diferentes níveis de execução, com algumas já em fase de acabamento. Um exemplo avançado é a estação em frente ao Pantanal Shopping, na Avenida do CPA, em Cuiabá, que já possui estrutura fechada, climatização, bancos, acessibilidade e equipamentos de monitoramento. O governador Otaviano Pivetta chegou a apresentar o espaço à população em setembro de 2026. Os terminais, por sua vez, terão estruturas mais amplas, com banheiros, plataformas e áreas de recarga para os ônibus elétricos, e estão na fase de elaboração dos projetos, com previsão de entrega em fevereiro de 2027.
Quanto já custou e qual o investimento total no BRT?
O custo total das obras do BRT já ultrapassou R$ 247 milhões. Desse valor, R$ 12 milhões foram destinados especificamente para as estações de ônibus. Os três terminais, por sua vez, têm um custo estimado de R$ 130,7 milhões. O Terminal Várzea Grande, ao lado do Aeroporto, custará R$ 48,9 milhões; o Terminal CPA, entre as Avenidas Historiador Rubens de Mendonça e Osasco, R$ 49,6 milhões; e o Terminal Porto + CCO, na Avenida XV de Novembro, R$ 32,1 milhões. Este último incluirá o Centro de Controle Operacional de todo o sistema BRT.
No total, foram contratados R$ 533 milhões para os serviços de infraestrutura, construção de estações e terminais. Até junho de 2026, o Governo de Mato Grosso havia pago R$ 206 milhões. O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) questionou, em junho de 2026, o aumento do custo das estações de R$ 68 milhões para R$ 120 milhões em apenas 75 dias, protocolando uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para apuração dos contratos. Ele também apontou que o segundo ramal (Centro de Cuiabá/Coxipó) segue sem licitação e sem previsão de início das obras, levantando preocupações sobre o custo final do projeto, que, segundo ele, pode ultrapassar R$ 1 bilhão, valor semelhante ao do VLT.
Por que a operação do BRT ainda não tem data definida em 2026?
Um dos principais motivos para o adiamento da operação do BRT para 2027 é a ausência dos veículos que farão parte do sistema. Segundo a Sinfra, o processo de compra dos ônibus elétricos, previstos em um planejamento de 2025 para 60 unidades, ainda está na fase de elaboração dos termos de referência. Esses documentos são cruciais para estabelecer as especificações técnicas e as condições para a futura contratação dos veículos, o que indica que a aquisição está longe de ser finalizada.
Apesar das declarações do governador Otaviano Pivetta em julho de 2026 sobre a circulação dos veículos elétricos até o fim do ano, a realidade da não aquisição dos ônibus e a necessidade de conclusão de todas as etapas de implantação, incluindo sistemas e testes operacionais, justificam a previsão mais conservadora da Sinfra para 2027. Para os cidadãos do Centro-Oeste, a falta dos veículos é um entrave claro para a concretização do projeto.
Qual o histórico do projeto de transporte em Cuiabá e Várzea Grande?
O BRT surge como substituto do controverso projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que foi planejado para a Copa do Mundo de 2014, mas nunca entrou em operação. O VLT, com um custo superior a R$ 1 bilhão, tornou-se um símbolo de obras inacabadas e desperdício de recursos públicos na região. O novo sistema de BRT aproveita partes da infraestrutura anterior, mas prevê a circulação de ônibus em vez de trens urbanos.
A transição do VLT para o BRT não foi isenta de problemas. O contrato com o antigo consórcio responsável pelas obras foi rescindido por descumprimento do cronograma e falhas graves na execução, que, segundo a Sinfra, pioraram o trânsito em Cuiabá e Várzea Grande. A retomada das obras do BRT foi considerada urgente para a mobilidade urbana, com a empresa Lotufo Engenharia e Construções sendo a atual responsável pela construção das estações e terminais. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, afirmou em janeiro de 2025 que sua gestão colaboraria ativamente com as obras, desistindo de uma ação judicial que buscava barrar a execução.
O que o BRT significa para a mobilidade urbana da região?
A implantação do BRT é vista como uma solução crucial para os desafios de mobilidade urbana enfrentados por Cuiabá e Várzea Grande, que sofrem com congestionamentos diários. A expectativa é que o sistema de transporte rápido por ônibus melhore significativamente o fluxo de passageiros e reduza o tempo de deslocamento. Com 23 estações e 3 terminais, o BRT visa organizar o transporte público, permitindo que os passageiros troquem de linha sem pagar nova passagem e proporcionando um ambiente mais confortável com estações climatizadas e acessíveis.
Apesar dos atrasos e das divergências de prazos, a conclusão e operação do BRT são aguardadas com grande expectativa pela população do Centro-Oeste, que anseia por um sistema de transporte público eficiente e moderno. A promessa de ônibus elétricos também aponta para um futuro mais sustentável para o transporte na região, contribuindo para a redução da poluição e melhoria da qualidade de vida.