A aliciamento de menores em Comodoro ganhou destaque nesta quinta-feira (22) com a deflagração da segunda fase da Operação Scutum Innocentia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso. A ação, autorizada pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cáceres, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na zona rural do município, a 644 km de Cuiabá.

Aliciamento de menores em Comodoro: ações da polícia

Para entender melhor o trabalho da Polícia Civil em casos semelhantes, consulte a matéria Operações recentes da Polícia Civil em MT, que detalha outras investigações no estado.

Operação Scutum Innocentia avança na zona rural

Os policiais chegaram a propriedades rurais onde suspeitos mantinham contato com menores de até 14 anos por meio de perfis falsos em redes sociais. Foram apreendidos celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos que contêm milhares de mensagens de aliciamento, pedidos de fotografias íntimas e convites para encontros de natureza sexual.

O delegado Mateus Almeida Oliveira Reiners, responsável pela investigação em Comodoro, explicou que os criminosos utilizavam linhas telefônicas e contas de e‑mail registradas em nome de terceiros para dificultar a identificação. "Eu quero reforçar o compromisso permanente da Polícia Civil com a proteção de crianças e adolescentes e orientar pais e responsáveis a acompanharem o uso de celulares e redes sociais pelos filhos, evitando a aproximação de criminosos sexuais", disse o delegado de Comodoro Mateus Almeida Oliveira Reiners.

Processos por estupro de vulnerável em MT

20231,7processos20242,1processos2025 (primeiros 4…627processos
Fonte: Poder Judiciário de Mato Grosso

Números da operação

Fonte: mt.gov.br, 22/10/2026
FaseDataMandados cumpridosSuspeitos identificados
1ªoutubro 20255não divulgado
2ª22/10/2026510

A primeira fase, realizada em outubro de 2025, também cumpriu cinco mandados, mas não divulgou o número de suspeitos identificados. Na segunda fase, o número chegou a dez, todos adultos do sexo masculino.

Reação das autoridades

A Polícia Civil orientou pais e responsáveis a monitorarem as conversas dos filhos na internet, observar contatos suspeitos e manter o diálogo em casa. As denúncias podem ser feitas ao Disque 100, serviço 24 horas do Ministério dos Direitos Humanos.

O Conselho Tutelar de Comodoro, localizado na Rua das Acácias, esquina com a Rua Ceará, está disponível presencialmente, por WhatsApp (65‑99908‑0013) ou e‑mail (ouvidoria@comodoro.mt.gov.br) para receber denúncias anônimas e encaminhar medidas de proteção.

Para quem busca apoio institucional, a Casa Lar Recanto Feliz oferece acolhimento provisório a crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por determinação judicial ou medida protetiva.

Contexto da violência sexual no Centro‑Oeste

Os números do Poder Judiciário de Mato Grosso mostram um aumento de 21 % nos processos por estupro de vulnerável entre 2023 (1.714 processos) e 2024 (2.082 processos). Nos primeiros quatro meses de 2025, foram distribuídos 627 novos casos no estado.

Em âmbito nacional, o Ministério da Justiça registrou 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses de 2026, com predominância de vítimas do sexo feminino e faixa etária de 4 a 8 anos.

Operações federais, como a “Comércio do Mal VI” e “Inocência Protegida XIX”, realizadas em julho de 2026, resultaram na prisão de mais de 1.600 alvos em todo o país, reforçando a necessidade de ações coordenadas entre polícias estaduais e federais.

Próximos passos e orientações para a população

As investigações continuam para identificar outros possíveis participantes da rede. A extração integral dos dados dos aparelhos apreendidos será analisada pelos peritos da Polícia Civil.

Os suspeitos poderão responder pelos crimes de estupro de vulnerável e aliciamento de criança ou adolescente por meio de comunicação para prática de ato libidinoso, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Moradores de Comodoro e de todo o estado devem ficar atentos a comportamentos suspeitos nas redes sociais e denunciar imediatamente ao Disque 100 ou ao Conselho Tutelar. Mais informações sobre como proteger crianças e adolescentes estão disponíveis no portal da Polícia investiga caso em Goiânia.